terça-feira, 14 de maio de 2013

Capitulo 8

Sussurro - Capitulo 8

EU VOLTEI PARA A MESA DE PEBOLIM COM UMA FRIA ESTUPEFAÇÃO. Elliot estava inclinado sobre ele, seu rosto mostrando uma concentração competitiva. Vee berrava e ria. Jules ainda estava desaparecido.
Vee olhou por cima do jogo. “Bem? O que aconteceu? O que ele disse para você?”
“Nada. Eu disse a ele para não nos incomodar. Ele foi embora.” minha voz soava monótona.
“Ele não pareceu bravo quando foi embora,” Elliot disse. “O que quer que você tenha dito, funcionou.”
“Que pena,” Vee disse. “Eu estava esperando alguma animação.”
“Prontas para jogar?” Elliot perguntou. “Estou faminto por algumas pizzas arduamente ganhas.”
“É, se o Jules voltar algum dia,” disse Vee. “Estou começando a achar que talvez ele não goste da gente. Ele fica desaparecendo. Estou começando a achar que é uma deixa não-verbal.”
“Está brincando? Ele ama vocês.” Elliot disse com entusiasmo de mais. “Ele só é meio devagar em se acostumar com estranhos. Eu irei achá-lo. Não vão a lugar algum.”
Assim que Vee e eu ficamos sozinhas, eu disse, “Sabe que eu vou te matar, certo?”
Vee levantou suas palmas e deu um passo para trás. “Eu estava te fazendo um favor. Elliot é louquinho por você. Depois que você saiu, eu disse a ele que você tinha, tipo, dez caras te ligando toda noite. Você devia ter visto a cara dele. Mal continha a inveja.”
Eu resmunguei.
“É a lei da oferta e procura,” Vee disse. “Quem pensaria que economia seria útil?”
Eu enfiei minha palma contra minha testa. “Eu preciso de algo.”
“Você precisa do Elliot.”
“Não, eu preciso de açúcar. Bastante. Eu preciso de algodão-doce.” O que eu precisava era de uma borracha grande o bastante para apagar toda a evidência do Patch da minha vida. Particularmente a parte de falar com a mente. Eu estremeci. Como ele estava fazendo isso? E por que eu? A não ser...
que eu tivesse imaginado isso. Bem como eu tinha imaginado bater em alguém com o Neon.
“Eu também precisava de um pouco de açúcar,” Vee disse. “Eu vi um vendedor perto da entrada do parque ao entrarmos. Eu fico aqui para que o Jules e o Elliot não achem que a gente fugiu, e você pode pegar o algodão-doce.”
Do lado de fora, eu retrocedi para a entrada, mas quando eu achei o vendedor de algodão-doce, eu fui distraída por uma visão distante no passadiço. O Arcanjo elevava-se sobre o alto das árvores. Um serpentear de canos fechados nos semáforos e que mergulhavam para fora de vista. Eu me perguntei por que Patch queria se encontrar. Eu senti um soco no meu estômago e provavelmente devia ter aceito isso como resposta, mas apesar das minhas melhores intenções, eu me encontrei continuando pelo passadiço em direção ao Arcanjo.
Eu fiquei com o fluxo do tráfego a pé, mantendo meus olhos no rumo distânte do Arcanjo fazendo curvas no céu. O vento tinha mudado de frio para gelado, mas não era essa a razão de eu me sentir cada vez mais enjoada. A sensação estava de volta aquela sensação fria e de parar o coração de que alguém estava me observando.
Eu roubei um olhar para ambos os lados. Nada anormal na minha visão periférica. Eu girei 180º graus. Um pouco para trás, parado em um pequeno pátio de árvores, uma figura encapuzada se virou e desapareceu na escuridão.
Com o meu coração batendo mais rápido, eu passei por um comprido grupo de pedestres, colocando distância entre eu e a clareira. Diversas passadas adiante, eu olhei para trás novamente. Ninguém se sobressaia me seguindo.
Quando eu encarei à frente novamente, eu trombei em alguém. “Desculpe!” eu falei apressadamente, tentando ganhar novamente meu equilíbrio.
Patch sorriu maliciosamente para mim. “Sou difícil de resistir.”
Eu pestanejei para ele. “Deixe-me em paz.” Eu tentei dar um passo para o lado dele, mas ele me pegou pelo cotovelo.
“Qual o problema? Você parece prestes a vomitar.”
“Você tem esse efeito em mim,” eu retruquei.
Ele riu. Eu tive vontade de chutar suas canelas.
“Você precisa de uma bebida.” Ele ainda me pegava pelo cotovelo, e ele me empurrou na direção do carrinho de limonada.
Eu afundei em meus saltos. “Você quer ajudar? Fica longe de mim.”
Ele empurrou um cacho para longe do meu rosto. “Amo o cabelo. Amo quando está fora de controle. É como ver um lado de você que precisa sair mais freqüentemente.”
Eu alisei meu cabelo furiosamente. Assim que eu percebi que estava tentando me deixar mais apresentável para ele, eu disse, “Tenho que ir. A Vee está esperando.” Uma pausa irritada. “Acho que te vejo na aula na segunda.”
“Ande no Arcanjo comigo.”
Eu estiquei meu pescoço, encarando-o. Gritos estridentes ecoaram enquanto os carros ressoavam nos trilhos.
“Duas pessoas por assento.” Seu sorriso mudou para um sorriso malicioso vagaroso e ousado.
“Não.” De jeito nenhum.
“Se continuar fugindo de mim, você nunca vai descobrir o que realmente está acontecendo.”
Aquele comentário deveria ter feito eu correr. Mas não fez. Era quase como se o Patch soubesse exatamente o que dizer para atiçar a minha curiosidade. Exatamente o que dizer, exatamente no momento certo.
“O que está acontecendo?”
“Só há uma maneira de descobrir.”
“Não posso. Tenho medo de altura. Além do mais, a Vee está esperando.” Só que, de repente, pensar em subir tão alto no ar não me assustava. Não mais. De um jeito absurdo, sabendo que eu estaria com o Patch me fez sentir segura.
“Se você der uma volta completa sem gritar, eu direi ao Treinador para mudar nossos assentos.”
“Eu já tentei. Ele não cede.”
“Eu posso ser mais, convincente que você.”
Eu tomei seu comentário como insulto pessoal. “Eu não giro,” eu disse. “Não por causa de parques de diversão.” Não por sua causa.
No ritmo do Patch, eu caminhei até o final da linha levando para o Arcanjo. Um arrojo de gritos se levantou, então se dissipou, bem acima no céu noturno.
“Eu nunca te vi no Delphic antes,” Patch disse.
“Você vem muito aqui?” Eu fiz uma nota mental para não fazer mais viagens de final de semana para o Delphic.
“Eu tenho um histórico com o local.”
Nós fomos nos aproximando na linha a medida em que os carros se esvaziavam e um novo grupo de perseguidores de emoção embarcava no brinquedo.
“Deixe-me adivinhar,” eu disse. “Você matou aula aqui ao invés de ir para a escola no ano passado.”
Eu estava sendo sarcástica, mas Patch disse, “Responder isso significaria iluminar o meu passado. E eu gostaria de mantê-lo no escuro.”
“Por quê? Qual o problema com o seu passado?”
“Eu acho que agora é uma boa hora para falar sobre isso. Meu passado pode assustá-la.”
Tarde demais, eu pensei.
Ele deu um passo mais para perto e nossos braços se encontraram, uma conexão roçante que fez com que os pelos no meu braço se levantassem. “As coisas que eu tenho a confessar não são as coisas que você conta a sua petulante parceira de biologia,” ele disse.
O vento frigido se envolveu ao meu redor, e quando eu o respirei, ele me encheu com gelo. Mas não se comparou com a gelidez que as palavras de Patch mandaram por mim.
Patch sacudiu seu queixo para a rampa. “Parece que é a nossa vez.”
Eu empurrei o portão giratório. Na hora em que chegamos à plataforma de embarque, os únicos carros vazios eram os bem da frente e bem de trás da montanha-russa. Patch se dirigiu em direção do primeiro.
A construção da montanha-russa não inspirava confiança, remodelado ou não. Parecia ter mais de um século e era feito de madeira que tinha passado muito tempo exposto aos elementos desagradáveis do Maine. O desenho pintado nas laterais era ainda menos inspirador.
O carro que Patch tinha escolhido tinha um agrupamento de quatro desenhos. O primeiro representava uma aglomeração de demônios chifrudos arrancando as asas de um anjo gritando. O próximo desenho mostrava o anjo sem asas empoleirado em uma lápide, observando as crianças brincarem à distância. No terceiro desenho, o anjo sem asas estava perto de uma criança, entortando um dedo para uma pequena menina de olhos verdes. No desenho final, o anjo sem asas passava através do corpo da garota como um fantasma. Os olhos da garota estavam pretos, seu sorriso tinha sumido, e ela tinha brotado chifres como os demônios do primeiro desenho. Uma lua rachada estava pendurada sobre os desenhos.
Eu desviei meus olhos e assegurei a mim mesma que era o ar frigido que estava fazendo minhas pernas tremerem. Eu deslizei para o carro ao lado do Patch.
“Seu passado não me assustaria,” eu disse, ajustando meu cinto de segurança no meu colo. “Acho que eu ficaria mais horrorizada do que tudo.”
“Horrorizada,” ele repetiu. O tom da sua voz me fez acreditar que ele tinha aceito a acusação. Estranho, já que o Patch nunca se degradava.
Os carros rolaram para trás, então se lançaram para frente. Não de um jeito suave, nós nos dirigimos para longe da plataforma, subindo colina acima uniformemente. O cheiro de suor, ferrugem, e água salgada soprando do mar encheu o ar. Patch sentava-se perto o bastante para ser cheirado. Eu capturei o traço mais leve de sabonete de menta espesso.
“Você está pálida,” ele disse, inclinando-se para ser ouvido por sobre os trilhos estalando.
Eu me senti pálida, mas não admiti isso.
No cume da colina, houve um momento de hesitação. Eu conseguia enxergar por quilômetros, observando onde à região rural se misturava com o barulho dos subúrbios e gradualmente se tornava a grade dos lugares de Portland. O vento retinha-se, permitindo que o úmido assentasse na minha pele.
Sem querer, eu roubei uma olhada para o Patch. Eu encontrei um sentido de consolação em tê-lo ao meu lado. Então ele lançou um sorriso sarcástico.
“Assustado, Anjo?”
Eu apertei a barra de metal parafusada na frente do carro enquanto senti meu peso insinuar-se para frente. Uma risada trêmula escapou de mim.
Nosso carro voou demoniacamente rápido, meu cabelo chicoteando atrás de mim. Inclinando-se para a esquerda, então para a direita, nós tremíamos sobre os trilhos. Dentro, eu senti meus órgãos flutuarem e caírem em resposta ao passeio. Eu olhei para baixo, tentando me concentrar em algo que não estivesse se movendo.
Foi então que eu notei que meu cinto de segurança tinha se soltado.
Eu tentei gritar para o Patch, mas minha voz foi engolida pelo movimento do ar. Eu senti meu estômago ficar oco, e eu soltei a barra de metal com uma mão, tentando colocar o cinto de segurança ao redor da minha cintura com a outra. O carro se lançou para a esquerda. Eu bati de ombros com o Patch, pressionando contra ele tão arduamente que doía. O carro levantou vôo, e eu senti se levantar dos trilhos, não totalmente fixo neles.
Nós estávamos submergindo. As luzes piscando nos trilhos me cegavam; eu não conseguia ver pra que lado o trilho se virava no final do mergulho.
Era tarde demais. O carro inclinou-se para a direita. Eu senti uma onda de pânico, e então aconteceu. Meu ombro esquerdo bateu contra a porta do carro. Ela se abriu, e eu fui arrancada do carro enquanto a montanha-russa acelerava sem mim. Eu rolei para os trilhos e lutei por algo para me ancorar. Minhas mãos
não achavam nada, e eu desabei sobre a beirada, mergulhando diretamente para baixo pelo ar negro. O chão se acelerou até mim, e eu abri minha boca para gritar.
Quando dei por mim, o passeio acabou repentinamente na plataforma de desembarque.
Meus braços doíam de tão apertado que Patch me segurava. “Agora, isso é o que eu chamo de grito,” ele disse, sorrindo ironicamente para mim.
Estupefata, eu o observei colocar uma mão sobre sua orelha como se o meu grito ainda ecoasse lá. Nenhum pouco certo do que tinha acabado de acontecer, eu encarei o lugar em seu braço onde as minhas unhas tinham deixado semi-círculos tatuados em sua pele. Então os meus olhos se moveram para o meu cinto de segurança. Estava preso ao redor da minha cintura.
“Meu cinto de segurança...,” eu comecei. “Eu achei –”
“Achou o quê?” Patch perguntou, soando genuinamente interessado.
“Eu achei... eu voei para fora do carro. Eu literalmente achei... que eu ia morrer.”
“Eu acho que esse é o objetivo.”
Nas minhas laterais, meus braços tremeram. Meus joelhos cambaleavam ligeiramente sob o peso do meu corpo.
“Acho que estamos presos como parceiros,” disse Patch. Eu suspeitei de um leve grau de vitória em sua voz. Eu estava espantada demais para discutir.
“O Arcanjo,” eu murmurei, olhando por sobre o meu ombro para o passeio, que tinha começado sua próxima ascendência.
“Significa um anjo de alto nível.” Havia uma presunção definitiva em sua voz. “Quanto mais alto, mais dura é a queda.”
Eu comecei a abrir a minha boca, querendo dizer novamente como eu tinha certeza que tinha deixado o carro só um momento e que forças além da minha habilidade de explicar tinham me posto de volta em segurança atrás do meu cinto de segurança. Ao invés, eu disse, “Eu acho que sou uma garota mais do tipo anjo da guarda.”
Patch sorriu afetadamente de novo. Me guiando pelo caminho, ele disse, “Te levarei de volta para a Arcada.”

Capitulo 7

Sussurro - Capitulo 7

 ERA SÁBADO À NOITE, E DOROTHEA E EU ESTÁVAMOS NA cozinha. Ela tinha acabado de colocar uma caçarola no forno e estava examinando uma lista de tarefas que minha mãe deixou pendurada por um imã na geladeira.
“Sua mãe ligou, Ela não vai chegar até segunda à noite,” Dorothea disse enquanto esfregava ajax na pia da nossa cozinha com um vigor que fez meu cotovelo doer. “Ela deixou uma mensagem na secretária. Ela quer que você ligue para ela. Você está ligando toda noite antes de dormir?”
Eu sentei no banquinho do bar, comendo um bagel amanteigado. Eu tinha acabado de dar uma grande mordida, e agora Dorothea estava me olhando como se quisesse uma resposta. “Hm-hmm,” eu disse, comendo.
“Uma carta da escola chegou hoje.” Ela mexeu seu queixo na direção da pilha de cartas no balcão. “Talvez saiba por quê?”
Eu dei a minha melhor encolhida de ombros inocente e disse, “Nem ideia.” Mentalmente, eu plantei a palma da minha mão firmemente contra minha testa. Há doze meses eu abrira a porta da frente para encontrar a polícia nos degraus. Temos más notícias, eles disseram. O funeral do meu pai foi uma semana depois. Toda segunda à tarde desde então eu aparecia no meu espaço de tempo marcado com o Dr. Hendrickson, o psicólogo da escola. Eu tinha perdido as duas últimas sessões, e se eu não comparecesse essa semana, eu ia ficar encrencada. Era bem provável que a carta fosse um aviso.
“Você tem planos hoje à noite? Você e a Vee estão tomando algo? Talvez um filme aqui em casa?”
“Talvez. Honestamente, Doth, eu posso limpar a pia mais tarde. Venha se sentar e... comer a outra metade do meu bagel.”
O coque cinza de Dorothea estava se desfazendo a medida em que ela esfregava. “Eu vou para uma conferência amanhã,” ela disse. “Em Portland. Dra. Melissa Sandrez vai falar. Ela diz que você projeta um eu mais sexy. Hormônios são drogas poderosas. A não ser que digamos a eles o que queremos, eles dão um tiro pela culatra. Eles se voltam contra nós.” Dorothea se virou, apontando o ajax para mim para dar ênfase. “Agora eu acordo de manhã e levo batom vermelho para o meu espelho. `Eu sou sexy´, eu escrevo. `Os homens me querem. Sessenta e cinco é o novo vinte e cinco.´”
“Você acha que está funcionando?” eu perguntei, tentando arduamente não sorrir.
“Está funcionando,” Dorothea disse sobriamente.
Eu lambi manteiga dos meus dedos, enrolando por uma resposta cabível. “Então você vai passar o fim de semana reinventando seu lado sexy.”
“Toda mulher precisa reinventar seu lado sexy – eu gosto disso. Minha filha colocou implantes. Ela disse que fez isso por si mesma, mas que mulher faz implante para si mesma? Eles são um fado. Ela fez o implante para um homem. Eu espero que você não faça coisas idiotas por um garoto, Nora.” Ela balançou seu dedo para mim.
“Confie em mim, Doth, não há garotos na minha vida.” Está bem, talvez haja dois espreitando na periferia, circulando de longe, mas já que eu não conheço nenhum dos dois muito bem, e um me assusta completamente, pareceu mais seguro fechar meus olhos e fingir que eles na estavam lá.
“Essa é uma coisa boa e uma coisa ruim,” Dorothea disse repreensivamente. “Você acha o garoto errado, e está pedindo por encrenca. Você acha o garoto certo, e achará o amor.” Sua voz se suavizou com as lembranças. “Quando eu era uma garotinha na Alemanha, eu tive que escolher entre dois garotos. Um era um garoto muito levado. O outro era o meu Henry. Estamos alegremente casados por quarenta e um anos.”
Era hora de mudar de assunto. “Como vai, hum, o seu afilhado... Lionel?”
Seus olhos se estreitaram. “Você tem uma queda pelo pequeno Lionel?
“Nãããão.”
“Eu posso bolar alguma coisa –”
“Não, Dorothea, sério. Obrigada, mas – estou realmente me concentrando nas minhas notas agora. Eu quero entrar numa faculdade prestigiada.”
“Se no futuro –”
“Eu te avisarei.”
Eu termino o meu bagel ao som do bate-papo monótono de Dorothea, interpondo alguns oceanos ou “ahams” sempre que ela parava de falar tempo o bastante para esperar pela minha resposta. Eu estava preocupada debatendo se eu eu realmente queria encontrar Elliot hoje à noite ou não. De primeira, se encontrar parecera uma ótima ideia. Mas quanto mais eu pensava sobre isso, mais dúvida se arrastava para dentro. Eu só conhecia o Elliot há alguns dias, por um lado. E eu não estava certa de como minha mãe se sentiria quanto a esse arranjo, por outro lado. Estava ficando tarde, e Delphic ficava a uma viagem de pelo menos meia hora. Mais objetivamente, nos finais de semana o Delphic tinha uma reputação de ser selvagem.
O telefone tocou, e o número de Vee apareceu no identificador de chamada.
“Vamos fazer algo hoje à noite?” ela quis saber.
Eu abri minha boca, calculando minha resposta cuidadosamente. Uma vez que eu contasse a Vee sobre a oferta de Elliot, não haveria volta.
Vee gritou. “Ai, cara! Ai-cara-ai-cara-ai-cara. Eu acabei de derrubar esmalte no sofá. Espera aí, eu vou pegar papel-toalha. Esmalte é solúvel em água?” Um momento mais tarde ela retornou. “Acho que arruinei o sofá. Temos que sair hoje à noite. Eu não quero estar aqui quando o meu último trabalho de arte acidental for descoberto.”
Dorothea tinha se deslocado pelo corredor até o banheiro. Eu não tinha desejo algum de passar a noite toda escutando ela resmungar sobre o encanamento do banheiro enquanto ela limpava, então tomei minha decisão. “Que tal o Delphic Seaport. Elliot e Jules vão. Eles querem se encontrar.”
“Você escondeu a surpresa! Informação vital aqui, Nora. Vou te pegar em quinze minutos.” Eu fui deixada ouvindo o barulho do telefone.
Eu fui para cima e coloquei um confortável suéter de casimira branco, calça jeans escura, e moccasins de mergulho azul-marinho. Eu modelei o cabelo enquadrando meu rosto com os meus cachos naturais, e... voilà! Espirais meio decentes. Eu dei um passo para trás do espelho para fazer uma dupla olhada e me denominei uma cruza entre despreocupada e quase sexy.
Quinze minutos mais tarde exatamente, Vee saltou o Noon pela entrada e apertou a buzina de modo destacado. Geralmente eu levava dez minutos para percorrer o caminho entre as nossas casas, mas eu geralmente prestava atenção ao limite de velocidade. Vee entendia a palavra velocidade, mas limite não fazia parte de seu vocabulário.
“Eu vou ao Delphic Seaport com a Vee,” eu gritei para Dorothea. “Se a mamãe ligar, você se importa de repassar a mensagem?”
Dorothea saiu bamboleando do banheiro. “Até Delphic? Tão tarde?”
“Divirta-se na sua conferência!” eu disse, escapando porta afora antes que ela conseguisse protestar ou colocar a minha mãe no telefone.
O cabelo loiro da Vee estava puxado em um rabo-de-cavalo alto, grandes e gordos cachos caindo. Brincos de aro dourados pendiam das suas orelhas. Batom cereja. Rímel preto e alongador.
“Como você fez isso?” eu perguntei. “Você teve cinco minutos para se arrumar.”
“Sempre preparada.” Vee me lançou um sorriso irônico. “Eu sou o sonho de um Escoteiro.”
Ela me deu uma rápida olhadela crítica.
“O quê?” eu disse.
“Vamos nos encontrar com garotos hoje à noite.”
“Da última vez que eu chequei, sim.”
“Garotos gostam de garotas que se parecem com... garotas.”
Eu arqueei minha sobrancelha. “E como eu me pareço?”
“Como se você tivesse saído do banho e decidido que só isso já era o bastante para parecer apresentável. Não me entenda mal as roupas são boas, e cabelo está legal, mas o resto... aqui.” Ela esticou sua mão para dentro de sua bolsa. “Sendo a amiga que eu sou, vou te emprestar meu batom. E meu rímel, mas só se você jurar que não tem uma doença ocular contagiosa.”
“Eu não tenho uma doença ocular.”
“Só estou me precavendo.”
“Eu passo.”
A boca de Vee caiu, parcialmente de brincadeira, parcialmente séria. “Você se sentirá nua sem ele!”
“Soa bem com o tipo de aparência que você adotaria,” eu disse.
Bem honestamente eu estava indecisa sobre ir sem maquiagem. Não porque eu realmente me sentisse um pouco nua, mas porque Patch tinha colocado a sugestão de não usar maquiagem na minha mente. Em um esforço para me fazer sentir melhor, eu disse a mim mesma que a minha dignidade estava em questão. Tampouco o meu orgulho. Tinham me dado uma sugestão, e eu tinha a mente aberta o bastante para tentar isso. O que eu não queria reconhecer é que eu tinha escolhido especificamente uma noite que sabia que não veria o Patch para testar isso.
Uma meia hora mais tarde Vee dirigiu sob os portões do Delphic Seaport. Fomos forçadas a estacionar na ponta mais longe do estacionamento, devido ao pesado tráfego do final de semana de abertura. Aconchegado bem na costa Delphic não é conhecido por seu tempo ameno. Um vento fraco tinha aumentado, varrendo sacos de pipoca e embalagens de doce ao redor dos nossos calcanhares enquanto Vee e eu andávamos na direção do guichê de ingressos. As árvores tinham há muito perdido suas folhas, e seus galhos assomavam-se sobre nós como dedos deslocados. O Delphic Seaport bombava o verão todo com um parque de diversões, mascaradas, cabines de previsão do futuro, músicos ciganos e um show de horrores. Eu nunca tinha certeza se as deformidades humanas eram reais ou uma ilusão.
“Um adulto, por favor,” eu disse à mulher no guichê de ingressos. Ela tomou meu dinheiro deslizou uma pulseira sob a janela. Então ela sorriu, expondo dentes de vampiro brancos de plástico, borrados de vermelho com batom.
“Divirta-se,” ela disse em uma voz sem fôlego. “E não se esqueça de experimentar nossa montanha-russa recentemente remodelada.” Ela bateu em seu lado do vidro, apontando para uma pilha de mapas do parque e de folhetos.
Eu peguei um de cada a caminho dos portões giratórios. No folheto se lia:
                                           PARQUE DE DIVERSÕES DELPHIC
                                              MAIS NOVA SENSAÇÃO!
                                                      O ARCANJO
                                          REMODELADO E RENOVADO!
                                          CAIA EM DESGRAÇA NESSA
                                         QUEDA VERTICAL DE 30 METROS
Vee leu o folheto sobre o meu ombro. Suas unhas começaram a perfurar a pele do meu braço. “Temos de ir nesse!” ela berrou.
“Por último,” eu prometi, esperando que se fôssemos em todos os outros antes, ela se esqueceria desse. Eu não tinha tido medo de altura há anos, provavelmente porque eu tinha evitado-as convenientemente por anos. Eu não tinha certeza se eu já estava pronta para descobrir se o tempo tinha dissipado meu medo delas.
Após termos ido na roda gigante, nos carrinhos de bate-bate, no Tapete Mágico, e em algumas das cabines de jogos, Vee e eu decidimos que era hora de procurar o Elliot e o Jules.
“Hmm,” disse Vee, olhando para ambos os lados do caminho curvante do parque. Dividimos um silêncio pensativo.
“A arcada,” eu disse por fim.
“Boa”
Nós tínhamos acabado de passar pelas portas para a arcada quando eu o vi. Não Elliot. Não Jules.
Patch.
Ele olhou por cima de seu vídeo-game. O mesmo boné de beisebol que ele tinha usado quando eu o vi durante a EF encobriu a maior parte de seu rosto, mas eu tinha certeza de ter visto um relampejo de sorriso. De primeira pareceu amigável, mas então eu me lembrei de como ele tinha entrado nos meus pensamentos, e eu fiquei gelada até o osso.
Se eu tivesse sorte, Vee não tinha visto-o. Eu a empurrei na direção da multidão, deixando o Patch sair do campo de visão. A última coisa que eu precisava era que ela sugerisse que fôssemos até lá e começássemos uma conversa.
“Lá estão eles!” Vee disse, acenando seu braço por cima da cabeça. “Jules! Elliot! Aqui!”
“Boa noite, damas,” Elliot disse, abrindo caminho pela multidão. Jules moveu-se atrás dele, parecendo tão entusiasmado quanto um bolo de carne de três dias. “Posso comprar uma coca para ambas?”
“É uma boa,” disse Vee. Ela estava olhando diretamente para Jules. “Vou querer uma Diet.”
Jules murmurou uma desculpa sobre precisar usar o banheiro e escorregou de volta para dentro da multidão.
Cinco minutos mais tarde Elliot retornou com as cocas. Após dividi-las entre nós, ele esfregou suas mãos e examinou o chão. “Por onde começamos?”
“E quanto ao Jules?” Vee perguntou.
“Ele nos achará.”
“Air hockey,” eu disse imediatamente air rockey ficava do outro lado da arcada. Quanto mais distante de Patch, melhor. Eu disse a mim mesma que era uma coincidência ele estar aqui, mas os meus instintos discordavam.
“Aah, olha!” Vee interpôs. “Pebolim!” Ela já estava ziguezagueando em direção a uma mesa livre. “Jules e eu contra vocês dois. Os perdedores pagam a pizza.”
“Justo,” disse Elliot.
O pebolim podia ter sido legal, se a mesa não ficasse a uma curta distância de onde Patch jogava seu jogo. Eu disse a mim mesma para ignorá-lo. Se eu ficasse de costas para ele, eu mal notaria que ele estava lá. Talvez Vee não o notasse também.
“Ei, Nora, aquele não é o Patch?” Vee disse.
“Hmm?” eu disse inocentemente.
Ela apontou, “Lá. É ele, não é?”
“Eu duvido que seja. Elliot e eu somos o time branco, então?”
“Patch é o parceiro de biologia da Nora,” Vee explicou para Elliot. Ela piscou astutamente para mim, mas ficou com uma cara de inocente no momento em que Elliot prestou atenção nela. Eu balancei minha cabeça sutil, mas firmemente, para ele transmitindo uma mensagem silenciosa – pare.
“Ele fica olhando para cá,” Vee disse em voz mais baixa. Ela se debruçou pela mesa de pebolim, tentando parecer sua conversa comigo parecer privada, mas ela sussurrou alto o bastante que Elliot não teve escolha a não ser escutar. “Ele vai começar a se perguntar o que você está fazendo aqui com –” Ela balançou sua cabeça para Elliot.
Eu fechei meus olhos e visualizei bater a minha cabeça contra a parede.
“Patch deixou bem claro que gostaria de ser mais do que parceiro de biologia com a Nora,” Vee continuou. “Não que alguém possa culpá-la.”
“É assim?” disse Elliot, olhando-me de um jeito que dizia que ele não estava surpreso. Ele suspeitava desde o começo. Eu notei que ele tinha dado um passo mais para perto.
Vee me lançou um sorriso triunfante. Agradeça-me mais tarde, ele dizia.
“Não é assim,” eu corrigi. “É –”
“Duas vezes pior,” Vee disse. “Nora suspeita que ele esteja perseguindo-a. A polícia está quase se envolvendo.”
“Vamos jogar?” eu disse audivelmente. Eu derrubei a bolinha no centro da mesa. Ninguém notou.
“Você quer que eu fale com ele?” Elliot me perguntou. “Eu vou explicar que não estamos procurando encrenca. Eu direi a ele que você está aqui comigo, e se ele tiver um problema com isso, pode discuti-lo comigo.”
Não era nessa direção que eu queria que a conversa fosse. Não mesmo. “O que aconteceu ao Jules?” eu disse. “Ele saiu faz um tempão.”
“É, talvez ele tenha caído na privada,” disse Vee.
“Deixa que eu falo com o Patch,” Elliot disse.
Embora eu gostasse da preocupação, eu não gostava da ideia de Elliot tendo um combate direto com o Patch. Patch era desconhecido: intangível, assustador, e desconhecido. Quem sabia do que ele era capaz? Elliot era legal demais para enfrentar o Patch.
“Ele não me assusta,” Elliot disse, como se para refutar os meus pensamentos.
Obviamente, isso era algo que Elliot e eu discordávamos.
“Péssima ideia,” eu disse.
“Ótima ideia,” Vee disse. “De outro modo, Patch pode ficar... violento. Lembra da última vez?”
“Última vez?!” Eu balbuciei para ela.
Eu não fazia ideia do porque da Vee estar fazendo isso, outra que ela não tem tendência de tornar tudo o mais dramático possível. Sua ideia de drama era a minha ideia de humilhação mórbida.
“Sem ofensa, mas esse cara parece estranho,” disse Elliot. “Me dê dois minutos com ele.” Ele começou a andar até lá.
“Não!” eu disse, puxando as manga para pará-lo. “Ele, hm, pode ficar violento novamente. Deixe-me cuidar disso.” Eu estreitei um olhar para Vee.
“Tem certeza?” Elliot disse. “Fico mais do que feliz em fazê-lo.”
“Eu acho que é melhor vindo de mim.”
Eu enxuguei minhas palmas na minha calça jeans, e após tomar um fôlego bastante estabilizante, eu comecei a apertar a distância entre o Patch e eu, que era só a largura de alguns consoles de jogos. Eu não fazia ideia do que diria quando o alcançasse. Com sorte só um breve olá. Então eu podia voltar e tranqüilizar. Elliot e Vee que tudo estava sob controle.
Patch estava vestido como de costume: camisa preta, calça jeans preta, e um fino colar prata que relampejava contra sua pele escura. Suas mangas estavam empurradas em seus antebraços, e eu conseguia ver seus músculos trabalhando na medida em que apertava os botões. Ele era alto e magro e austero, e eu não teria ficado surpresa se debaixo de suas roupas ele possuísse diversas cicatrizes, lembranças de brigas de rua e outro comportamento imprudente. Não que eu quisesse olhar debaixo de suas roupas.
Quando eu cheguei no console do Patch, eu bati uma mão contra a lateral para chamar sua atenção. Na voz mais calma que consegui, eu disse, “Pac-Man? Ou é Donkey Kong?” Na verdade, parecia um pouco mais violento e militar.
Um sorriso irônico vagaroso espalhou-se pelo seu rosto. “Beisebol. Acha que talvez possa ficar atrás de mim e me dar algumas dicas?”
Bombas incendiárias irromperam pela tela, e corpos gritando velejavam pelo ar. Obviamente, ele não estava jogando beisebol.
“Qual o nome dele?” Patch perguntou, direcionando um aceno quase imperceptível para a mesa de pebolim.
“Elliot. Escuta, tenho que ser breve. Eles estão esperando.”
“Eu já o vi antes.”
“Ele é novo. Acabou de se transferir.”
“Primeira semana de escola e ele já fez amigos. Cara de sorte.” Ele deslizou um olhar sobre mim. “Pode ter um lado sombrio e perigoso que não conhecemos.”
“Parece ser a minha especialidade.”
Eu esperei que ele entendesse o que eu quis dizer, mas ele só disse, “Está a fim de jogar?” Ele inclinou sua cabeça na direção dos fundos da arcada. Através da multidão eu conseguia discernir as mesas de sinuca.
“Nora!” Vee chamou. “Venha para cá. Elliot está enfiando uma derrota pela minha goela abaixo.”
“Não posso,” eu disse ao Patch.
“Se eu ganhar,” ele disse, como se não tivesse intenção de ser recusado, “você dirá ao Elliot que algo surgiu. Você dirá a ele que não está mais livre hoje à noite.”
Eu não consegui evitar; ele era arrogante demais. Eu disse, “E se eu ganhar?”
Seus olhos me vasculharam, da cabeça aos pés. “Eu não acho que temos que nos preocupar com isso.”
Antes que eu pudesse me impedir, eu soquei seu braço.
“Cuidado,” ele disse em uma voz baixa. “Eles podem achar que estamos flertando.”
Eu senti vontade de me chutar, porque isso era exatamente o que estávamos fazendo. Mas não era minha culpa – era do Patch. Em contato próximo a ele, eu experimentava uma polaridade confusa de desejos. Parte de mim queria fugir dele gritando, Fogo! Uma parte mais impulsiva estava tentada a ver o quanto eu conseguia chegar perto sem... entrar em combustão.
“Um jogo de sinuca,” ele tentou.
“Estou aqui com outra pessoa.”
“Se dirija às mesas de sinuca. Eu cuidarei disso.”
Eu cruzei meus braços, esperando parecer severa e um pouco exasperada, mas ao mesmo tempo, eu tive que morder meu lábio para me impedir de mostrar uma posição ligeiramente mais positiva. “O que você vai fazer? Lutar com o Elliot?”
“Se chegar a esse ponto.”
Eu tinha quase certeza de que ele estava brincando. Quase.
“Uma mesa de sinuca acabou de vagar. Vá pegá-la.” Eu... te... desafio.
Eu endureci. “Como fez isso?”
Quando ele não negou imediatamente, eu senti um aperto de pânico. Era real. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. As palmas das minhas mãos ficaram suadas.
“Como fez isso?” eu repeti.
Ele me deu um sorriso dissimulado. “Fiz o quê?”
“Não,” eu avisei. “Não finja que não está fazendo isso.”
Ele inclinou um ombro contra o console e olhou para baixo para mim. “Diga-me o que eu devo estar fazendo.”
“Meus.... pensamentos.”
“O que tem eles?”
“Corta essa, Patch.”
Ele olhou ao redor teatralmente. “Você não quer dizer – falar com a sua mente? Você sabe o quanto isso soa doido, certo?”
Engolindo em seco, eu disse na voz mais calma que consegui, “Você me assusta, e não tenho certeza se você é bom para mim.”
“Eu podia mudar você de ideia.”
“Noooora!” Vee chamou por sobre o ruído de vozes e os bipes eletrônicos.
“Me encontre no Arcanjo,” Patch disse.
Eu dei um passo para trás. “Não,” eu disse impulsivamente.
Patch veio atrás de mim, e um arrepio içou pela minha espinha. “Estarei esperando,” ele disse na minha orelha. Então ele deslizou para fora da arcada.

Capitulo 6

Sussurro - Capitulo 6

NA MANHÃ SEGUINTE FIQUEI SURPRESA POR VER Elliot entrar no primeiro período de EF justo quando o sinal de atraso soou. Ele estava vestido com uma bermuda de basquete e um moletom branco da Nike. Seus tênis de cano alto pareciam novos e caros. Após dar um pedaço de papel para a Senhorita Sully, ele capturou o meu olhar. Ele deu um aceno baixo e se juntou a mim nas arquibancadas.
“Eu estava me perguntando quando iríamos nos esbarrar novamente,” ele disse. “O escritório principal percebeu que eu não tive EF pelos últimos dois anos. Não é obrigatório em escolas particulares. Eles estão debatendo como vão encaixar quatro anos de EF nos próximos dois e meio. Então aqui estou eu. Eu tenho EF no primeiro e no quarto período.”
“Não fiquei sabendo por que você se transferiu para cá,” eu disse.
“A anuidade estava comendo toda a aposentadoria dos meus pais,”
A Senhorita Sully soprou seu apito.
“Suponho que o apito signifique algo,” Elliot disse para mim.
“Dez voltas ao redor do ginásio, nada de cortar caminho.” Eu me levantei das arquibancadas. “Você é atleta?”
Elliot deu um pulo, dançando na ponta dos pés. Ele lançou alguns ganchos e socos no ar. Ele terminou com um direto no queixo que parou bem perto do meu. Sorrindo, ele disse, “Um atleta? Até a alma.”
“Então você vai amar a idéia de diversão da Senhorita Sully.”
Elliot e eu corremos as dez voltas juntos, então nos dirigimos para fora, onde o ar estava atado com uma névoa fantasmagórica. Parecia obstruir os meus pulmões, me sufocando. Do céu vazava alguns pingos de chuva, tentando arduamente empurrar uma tempestade na cidade de Coldwater. Eu olhei as portas do prédio, mas sabia que não faria diferença alguma; a Senhorita Sully era durona.
“Eu preciso de dois capitães para softball,” ela chamou. “Vamos, pareçam vivos – Vamos ver algumas mãos no ar! O melhor voluntário, ou eu escolherei os times, e eu nem sempre jogo limpo.”
Elliot levantou sua mão.
“Certo,” a Senhorita Sully disse para ele. “Aqui, na base do batedor. E que tal... Marcie Miller como capitã do time vermelho.”
Os olhos de Marcie varreram Elliot. “Manda ver.”
“Elliot, vá em frente e escolha primeiro,” a Senhorita Sully disse.
Precipitando seus dedos em seu queixo, Elliot examinou a sala, parecendo avaliar nossas habilidades de rebater e apanhar só pela nossa aparência. “Nora,” ele disse.
Marcie jogou seu pescoço para trás e riu. “Obrigado,” ela disse a Elliot, mostrando-lhe um sorriso tóxico que, por razões que eu não conseguia entender, hipnotizava o sexo oposto.
“Pelo quê?” disse Elliot.
“Por nos entregar o jogo.” Marcie apontou um dedo pra mim. “Há uma centena de razões para eu ser uma líder de torcida e a Nora não. Coordenação encabeça a lista”.
Eu estreitei meus olhos para Marcie, então caminhei até o lado do Elliot e enfiei um uniforme azul por sobre a minha cabeça.
“Nora e eu somos amigos,” Elliot disse a Marcie calmamente, quase friamente. Era um exagero, mas eu não ia corrigi-lo. Marcie pareceu como se um balde d’água fria tivesse sido jogado nela, e eu estava gostando disso.
“Isso é porque você não conheceu ninguém melhor. Como eu.” Marcie retorceu seu cabelo ao redor de seu dedo. “Marcie Miller. Você saberá tudo sobre mim muito em breve.” Ou seu olho teve um tique, ou ela piscou para ele.
Elliot não deu resposta alguma, e seu ranking de aprovação subiu alguns degraus. Um cara menor teria caído de joelhos e implorado a Marcie por qualquer atenção que ela desejasse dispor.
“Queremos ficar aqui a manhã toda esperando a chuva vir, ou ir direto ao negócio?” a Senhorita Sully perguntou.
Após dividir os times, Elliot liderou o nosso até o abrigo cavado e determinou a ordem de rebatida. Dando-me um taco, ele empurrou um capacete na minha cabeça. “Você é a primeira, Grey. Tudo o que precisamos é que chegue a base.”
Dando um giro de prática, e quase acertando-o com ele, eu disse. “Mas eu estava com vontade de fazer um home run.”
“Vamos fazer um desses também.” Ele me direcionou na direção da base do batedor. “Vá para o campo e balance inteiramente.”
Eu equilibrei o taco no meu ombro, pensando que talvez eu devesse ter prestado mais atenção durante o World Series. Está bem, talvez eu devesse ter assistido o World Series. Meu capacete deslizou sobre meus olhos, e eu o empurrei para cima, tentando analisar o campo interno, que estava perdido debaixo de punhados de neblina necrófagas.
Marcie Miller tomou seu lugar no monte do arremessador. Ela segurou a bola na frente de si, e eu notei que seu dedo do meio estava levantado para mim. Ela mostrou outro sorriso tóxico e jogou a bola de softball para mim.
Eu peguei um pedaço dela, mandando-a voando para a terra no lado errado da linha de falta.
“Foi um strike!” a Senhorita Sully chamou de sua posição entre a primeira e a segunda base.
Elliot gritou do abrigo cavado, “Essa tinha muito giro – mande uma limpa para ela!” Levei um momento para perceber que ele estava falando com a Marcie e não comigo.
Novamente a bola deixou a mão de Marcie, arqueando-se sobre o céu sombrio. Eu girei, um erro puro.
“Segundo Strike,” Anthony Amowitz disse pela máscara de receptor.
Eu lhe dei um olhar duro.
Afastando-me da base, eu dei mais alguns giros de prática. Eu quase não vi Elliot vindo atrás de mim. Ele esticou seus braços ao meu redor e posicionou suas mãos no taco, fluindo com as minhas.
“Deixe-me te mostrar,” ele disse no meu ouvido. “Assim. Sente isso? Relaxe. Agora gire seu quadril – está tudo no quadril.”
Eu conseguia sentir meu rosto esquentar com os olhos da classe em nós. “Acho que peguei o jeito, obrigada.”
“Arrumem um quarto!” Marcie disse para nós. O campo inteiro riu.
“Se você lhe jogasse um arremesso decente,” Elliot disse de volta, “ela acertaria a bola.”
“Meu arremesso está certeiro.”
“O giro dela está certeiro.” Elliot abaixou sua voz, falando só comigo. “Você perde contato visual no minuto que ela solta a bola. Os arremessos dela não são limpos, então você vai ter que trabalhar para acertá-los.”
“Estamos segurando o jogo aqui, gente!” a Senhorita Sully chamou.
Bem então, no estacionamento além do abrigo cavado algo chamou minha atenção. Eu pensei ter ouvido meu nome ser chamado. Eu me virei, mas mesmo quando o fazia, eu sabia que meu nome não fora dito em voz alta. Tinha sido dito silenciosamente na minha mente.
Nora.
Patch usava um boné de beisebol azul claro e estava com seus dedos presos na cerca com malha em forma de corrente, inclinando-se contra ela. Nada de casaco, apesar do clima. Só preto da cabeça aos pés. Seus olhos estavam opacos e inacessíveis enquanto ele me observava, mas eu suspeitava que havia muito acontecendo por trás deles.
Outra seqüencia de palavras arrastou-se pela minha mente.
Lições para rebater? Belo... toque.
Eu soltei uma respiração firme e disse a mim mesma que tinha imaginado as palavras. Porque a alternativa era considerar que Patch tinha o poder de enviar pensamentos para a minha mente. O que não podia ser. Simplesmente não podia. A não ser que eu estivesse delirando. Isso me assustava mais do que a ideia de que ele tivesse violado métodos normais de comunicação e pudesse, por vontade, falar comigo sem mesmo abrir sua boca.
“Grey! Fique atenta ao jogo!”
Eu pestanejei, voltando a vida bem a tempo de ver a bola rolando pelo ar na minha direção. Eu comecei a balançar, então ouvi outra corrente de palavras.
Ainda... não.
Eu segurei, esperando pela bola chegar até mim. Enquanto ela descia, eu dei um passo para frente na direção da frente da base. Eu girei com tudo que tinha.
Um grande estouro soou, e o taco vibrou nas minhas mãos. A bola viajou até Marcie, que caiu de costas. Apertando-se entre a interbase e a segunda base, a bola saltou pela grama do campo interno.
“Corre!” meu time gritou do abrigo cavado. “Corre, Nora!”
Eu corri.
“Derruba o taco!” eles gritaram.
Eu o joguei de lado.
“Fica na primeira base!”
Eu não fiquei.
Pisando num canto da primeira base, eu a circulei, correndo a toda velocidade na direção da segunda. O campo esquerdo tinha a bola agora, em posição para me expulsar. Eu abaixei minha cabeça, movi meus braços a todo
gás, e tentei me lembrar como os profissionais da ESPN deslizavam para a base. Primeiro com os pés? Primeiro com a cabeça? Parar, cair, e rolar?
A bola navegou na direção do jogador da segunda base, um branco girando em algum lugar da minha visão periférica. Uma entonação animada da palavra “Deslize!” veio do abrigo cavado, mas eu ainda não tinha me decidido qual acertaria a terra gelada antes – meus sapatos ou meu rosto.
O jogador da segunda base agarrou a bola do ar. Eu mergulhei primeiro de cabeça, os braços esticados. A luva saiu do nada, descendo sobre mim. Ela colidiu com o meu rosto, um cheiro forte de couro. Meu corpo machucou-se na terra, deixando-me com um bocado de brita e areia se dissolvendo debaixo da minha língua.
“Ela está fora!” gritou a Senhorita Sully.
Eu cambaleei de lado, me inspecionando por machucados. Minhas coxas queimavam em uma estranha mistura de quente e frio, e quando levantei minha roupa de malha, dizer que parecia que dois gatos tinham sido soltos nas minhas coxas seria uma atenuação. Mancando até o abrigo cavado, eu desmoronei no banco.
“Fofo,” Elliot disse.
“O truque que eu fiz ou minha perna machucada?” Dobrando meu joelho contra meu peito, eu gentilmente tirei o máximo de terra que eu consegui.
Elliot curvou-se de lado e soprou o meu joelho. Vários dos pedaços maiores de terra caíram no chão.
Um momento de silêncio estranho se seguiu.
“Consegue andar?” ele perguntou.
Ficando de pé, eu demonstrei que, enquanto minha perna estava uma zona de arranhões e terra, eu ainda conseguia usá-la.
“Posso te levar para a enfermaria se você quiser. Te colocar uns band-aids,” ele disse.
“Sério, eu estou bem.” Eu olhei para a cerca, onde tinha visto Patch por último. Ele não estava mais ali.
“Aquele era o seu namorado parado na cerca?” Elliot perguntou.
Eu fiquei surpresa por Elliot ter notado Patch. Ele estivera de costas para ele. “Não,” eu disse. “Só um amigo. Na verdade, nem isso. Ele é o meu parceiro de biologia.”
“Você está corando.”
“Provavelmente queimadura de vento.”
A voz do Patch ainda ecoava na minha cabeça. Meu coração bombeava mais rápido, mas na verdade, meu sangue correu mais gelado. Ele tinha falado
diretamente com os meus pensamentos? Havia alguma ligação inexplicável entre nós que permitia que isso acontecesse? Ou eu estava ficando louca?
Elliot não pareceu inteiramente convencido. “Você tem certeza de que nada está acontecendo entre vocês dois? Eu não quero perseguir uma garota que não está disponível.”
“Nada.” Nada que eu fosse permitir, de qualquer jeito.
Espera. O que Elliot tinha dito?
“Perdão?” eu disse.
Ele sorriu. “A Delphic Seaport reabre nesse sábado à noite, e Jules e eu estamos pensando em dirigir até lá. O clima não deve estar muito ruim. Talvez você e a Vickie queiram ir?”
Eu levei um momento para considerar essa oferta. Eu tinha bastante certeza de que se eu recusasse o Elliot, a Vee me mataria. Além do mais, sair com Elliot parecia um jeito bom de escapar da minha desconfortável atração pelo Patch.
“Parece uma boa ideia,” eu disse.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Capitulo 5

Sussurro - Capitulo 5

“POSSO AJUDÁ-LA?”
Eu me forcei a sorrir para a secretária do escritório principal, esperando não parecer tão desonesta quanto eu me sentia. “Eu tenho uma receita que tomo diariamente na escola, e minha amiga –”
Minha voz ficou presa na palavra, e eu me perguntei se depois de hoje eu chamaria Vee de minha amiga novamente.
“– minha amiga me informou que eu tenho que registrá-la com a enfermeira. Você sabe se isso está correto?” Eu não conseguia acreditar que estava parada aqui, pretendendo fazer algo ilegal. Ultimamente, eu estava exibindo muitos comportamentos não-característicos. Primeiro eu tinha seguido Patch para uma arcada de má reputação tarde da noite. Agora eu estava a beira de bisbilhotar seu arquivo estudantil. Qual era o meu problema? Não – qual era o problema do Patch, que quando se tratava dele, eu não conseguia parar de exercer maus julgamentos.
“Ah, sim,” a secretaria disse solenemente. “Todos os remédios precisam ser registrados. A enfermaria é aqui por trás, terceira porta à esquerda, do outro lado dos registros estudantis.” Ela gesticulou para o corredor atrás dela. “Se a enfermeira não estiver lá, você pode se sentar na cama portátil dentro do escritório dela. Ela deve voltar a qualquer minuto.”
Eu fabriquei outro sorriso. Eu realmente esperava que fosse ser tão fácil.
Dirigindo-me para o corredor, eu parei para diversas vezes para checar sobre meu ombro. Ninguém veio atrás de mim.
O telefone no escritório principal estava tocando, mas soava como um mundo distante do corredor turvo onde eu estava. Eu estava totalmente sozinha, livre para fazer o que eu desejava.
Eu parei com tudo na terceira porta à esquerda. Eu inspirei e bati, mas estava óbvio pela janela escura que a sala estava vazia. Eu empurrei a porta. Ela se moveu com relutância, abrindo com um rangido para uma sala compacta com azulejo branco desgastado. Eu fiquei de pé na entrada por um momento, quase desejando que a enfermeira aparecesse para que eu não tivesse escolha a não ser registrar minhas pílulas de ferro e ir embora. Um rápido olhar para o outro lado do corredor revelou uma porta com uma janela escrita REGISTROS ESTUDANTIS. Ela também estava escura.
Eu foquei minha atenção em um pensamento importunador no fundo da minha mente. Patch alegava que ele não tinha ido para escola no ano passado. Eu estava bem certa de que ele estava mentindo, mas se ele não estivesse, ele ao menos teria um registro estudantil? Ele teria um endereço residencial pelo menos, eu deduzi. E uma ficha médica, e as notas do último semestre. Ainda assim. Uma possível suspensão parecia um preço grande para pagar para espiar a ficha médica de Patch.
Eu inclinei um ombro contra a parede e chequei meu relógio. Vee me dissera para esperar pelo seu sinal. Ela disse que seria óbvio.
Ótimo.
O telefone no escritório principal tocou novamente, e a secretária atendeu.
Mastigando meu lábio, eu roubei uma segunda espiada na porta rotulada REGISTROS ESTUDANTIS. Havia uma boa chance dela estar trancada. Arquivos estudantis provavelmente com considerados de alta segurança. Não importava que tipo de distração Vee criasse, se a porta estivesse trancada, eu não entraria.
Eu mudei a minha mochila para o ombro oposto. Outro minuto passou. Eu disse a mim mesma que talvez devesse ir embora...
Por outro lado, e se Vee estivesse certa? E se Patch tivesse um passado criminal? Como sua parceira de biologia, contato regular com ele podia me colocar em perigo. Eu tinha uma responsabilidade de me proteger... não tinha?
Se a porta estivesse destrancada e os arquivos estivessem em ordem alfabética, eu não teria problema algum em localizar o arquivo de Patch rapidamente. Acrescente outros poucos segundos para folhear seu arquivo por algum sinal de perigo, e eu provavelmente poderia entrar e sair da sala em menos e um minuto. O que era tão breve que poderia parecer que eu não tinha entrado de modo algum.
As coisas tinham ficado estranhamente silenciosas no escritório principal. De repente Vee circulou a esquina. Ela se esgueirou pela parede na minha direção, andando agachada, arrastando suas mãos pela parede, roubando olhares clandestinos por sobre o seu ombro. Era o tipo de andar que espiões elaboravam em filmes antigos.
“Tudo está sob controle,” ela sussurrou.
“O que aconteceu com a secretária?”
“Ela teve que sair do escritório por um minuto.”
“Teve que? Você não a incapacitou, foi?”
“Não dessa vez.”
Graças a Deus pelas pequenas misericórdias.
“Eu alertei uma amiga de bomba do telefone público lá fora,” Vee disse. “A secretária ligou para a polícia, então correu para achar o diretor.”
“Vee!”
Ela bateu em seu pulso. “A hora está passando. Não queremos estar aqui quando os tiras chegarem.”
Nem me diga.
Vee e eu medimos a porta para os registros estudantis.
“Mexa-se,” Vee disse, batendo-me com seu quadril.
Ela abaixou sua manga sobre seu pulso e o bateu na janela.
Nada aconteceu.
“Isso foi só pra praticar,” ela disse. Ela recuou para dar outro soco e eu agarrei seu braço.
“Pode estar destrancada,” eu virei a maçaneta e a porta se abriu.
“Isso não foi tão divertido,” disse Vee.
Uma questão de opinião.
“Entra você,” Vee instruiu. “Eu vou ficar de vigilância. Se tudo correr bem, nós nos encontraremos em uma hora. Encontre-me no restaurante mexicano na esquina da Drake com a Beech.” Ela andou agachada pelo corredor.
Eu fiquei sozinha de pé parcialmente dentro e parcialmente fora da sala estreita alinhada à parede com armários. Antes que a minha consciência me convencesse, eu entrei e fechei a porta atrás de mim, pressionando as minhas costas contra ela.
Com um fôlego profundo, eu escorreguei a minha mochila e me apressei, arrastando meu dedo pela frente dos armários. Eu achei a gaveta marcada CAR-CUV. Com um puxão, a gaveta se abriu com uma pancada. As etiquetas nos arquivos estavam escritas a mão, e eu me perguntei se Coldwater High era a última escola no país não computadorizada.
Meus olhos passaram pelo nome “Cipriano.”
Eu puxei o arquivo da gaveta entupida com violência. Eu o segurei em minhas mãos por um momento, tentando me convencer que não havia nada de muito errado com o que eu estava prestes a fazer. E daí que havia informações confidenciais dentro? Como parceira de biologia do Patch, eu tinha o direito de saber dessas coisas.
Do lado de fora, vozes encheram o corredor.
Eu remexi no arquivo aberto e imediatamente recuei. Não fazia sentido algum.
As vozes avançaram.
Eu enfiei o arquivo ao acaso dentro da gaveta e dei um empurrão, fazendo-a agitar-se de volta no armário. Enquanto eu me virava, eu congelei. Do outro lado da janela, o diretor estava parado a meio caminho, seu olhar fechando-se sobre mim.
O que quer que ele estivera dizendo para o grupo, que consistia de todos os maiores membros do conselho da escola, dissipou-se. “Me dêem licença por um instante,” eu o ouvi dizer. O grupo continuou acotovelando-se para frente. Ele não.
Ele abriu a porta. “Essa área é fora dos limites para estudantes.”
Eu coloquei uma cara indefesa. “Eu sinto tanto. Estou tentando achar a enfermaria. A secretária disse que era a terceira porta a direita, mas eu acho que contei errado...” Eu joguei minhas mãos para cima. “Estou perdida.”
Antes que ele pudesse responder, eu puxei com violência o zíper da minha mochila. “Eu deveria registrá-las. Pílulas de ferro,” eu expliquei. “Eu sou anêmica.”
Ele me estudou por um momento, sua testa enrugando. Eu achei que conseguia vê-lo pesando suas opções: ficar por aqui e lidar comigo, ou lidar com a ameaça de bomba. Ele sacudiu seu queixo porta afora. “Eu preciso que você saia do prédio imediatamente.”
Ele sustentou a porta aberta e eu me abaixei por debaixo do seu braço, meu sorriso sofrendo um colapso.
***
Uma hora mais tarde eu deslizei numa cabine de canto no restaurante mexicano na esquina do Drake com a Beech. Um cacto de cerâmica e um coiote empalhado estavam na parede acima de mim. Um homem usando um sombrero mais largo do que ele era alto passou vagueando. Dedilhando cordas em seu vidão, ele me fez uma serenata enquanto o hostess colocava cardápios na mesa. Eu franzi a testa para o símbolo no copo da frente. The Borderline. Eu não tinha comido aqui antes, mas ainda assim algo no nome me soava vagamente familiar.
Vee surgiu atrás de mim e caiu no assento oposto. Nosso garçom seguia de perto.
“Quatro chimis, creme de leite extra, uma porção de nachos, e uma porção de feijões pretos,” Vee disse a ele sem consultar o cardápio.
“Um red burrito,” eu disse.
“Contas separadas?” ele perguntou.
“Eu não vou pagar por ela,” Vee e eu dissemos ao mesmo tempo.
Após o nosso garçom ir embora, eu disse, “Quatro chimis. Estou ansiosa em ouvir a conexão com uma fruta.”
“Nem começa. Eu estou morrendo de fome. Não comi desde o almoço.” Ela pausou. “Se não contar os Hot Tamales, o que eu não conto.”
Vee é voluptuosa, com complexo escandinávio, e de um jeito heterodoxo, incrivelmente sexy. Houvera dias onde a nossa amizade era a única coisa no caminho da minha inveja. Perto da Vee, a única coisa que eu tenho a meu favor são as minhas pernas. E talvez meu metabolismo. Mas definitivamente não o meu cabelo.
“É melhor que ele traga chips logo,” disse Vee. “Eu vou ficar com urticária se eu não comer algo salgado nos próximos quarenta e cinco segundos. E de qualquer jeito, as primeiras três letras na palavra dieta devem te informar o que eu quero que aconteça a ela.”
“Eles fazem salsa com tomate,” eu apontei. “É vermelho. E abacates são frutas. Eu acho.”
Seu rosto se iluminou. “E vamos pedir daiquiris de morango.”
Vee estava certa. Essa dieta era fácil.
“Já volto,” ela disse, deslizando para fora da cabine. “Aquele período do mês. Depois disso, eu quero o furo.”
Enquanto esperava por ela, eu me encontrei concentrada no assistente de garçom há algumas mesas. Ele estava trabalhando arduamente esfregando um pano sobre o topo de uma mesa. Havia algo estranhamente familiar no jeito com que ele se movia, no jeito que sua camisa caia sobre o arco de suas costas bem definidas. Quase como se ele suspeitasse que estava sendo observado, ele se endireitou e se virou, seus olhos fixos nos meus no exato momento em que eu descobri o que era tão familiar nesse assistente de garçom em particular.
Patch.
Eu não conseguia acreditar nisso. Eu pensei em dar um tapa na minha testa quando eu me lembrei que ele tinha me contado que trabalhava na Borderline.
Enxugando suas mãos em seu avental, ele andou até aqui, aparentemente gostando do meu desconforto enquanto eu procurava ao redor por alguma maneira de escapar, descobrindo que eu não tinha lugar algum para ir a não ser para mais dentro da cabine.
“Ora, ora,” ele disse. “Cinco dias por semana não é o bastante de mim? Tinha que me ceder uma noite também?”
“Eu peço desculpas pela infeliz coincidência.”
Ele deslizou no assento da Vee. Quando ele abaixou seus braços, eles eram tão longos que cruzavam na minha metade da mesa. Ele alcançou o meu copo, girando-o em suas mãos.
“Todos os assentos aqui estão tomados,” eu disse. Quando ele não respondeu, eu peguei meu copo de volta e tomei um gole d’água, engolindo acidentalmente um cubo de gelo. Queimou o caminho todo. “Você não deveria estar trabalhando, ao invés de fraternizando com os clientes?” eu engasguei.
Ele sorriu. “O que você vai fazer domingo a noite?”
Eu bufei. Por acidente. “Você está me chamando para sair?”
“Você está ficando metida. Eu gosto disso, Anjo.”
“Eu não ligo para o que você gosta. Eu não vou sair com você. Não em um encontro. Não sozinha.” Eu queria me chutar por ter sentido um tremor quente ao especular o que uma noite sozinha com Patch poderia trazer. Era mais provável que ele nem quisesse ter dito isso. Era mais provável que ele estivesse me sondando por razões conhecidas só por ele próprio. “Espera aí, você acabou de me chamar de Anjo?” eu perguntei.
“E se eu chamei?”
“Eu não gosto.”
Ele sorriu. “Vai ficar. Anjo.”
Ele se inclinou sobre a mesa, levantou sua mão para o meu rosto, e roçou seu dedão pelo canto da minha boca. Eu me afastei, tarde demais.
Ele esfregou gloss labial entre seu dedão e seu indicador. “Você ficaria melhor sem isso.”
Eu tentei lembrar do que estávamos falando, mas não tão arduamente quanto eu tentei parecer impassível ao seu toque. Eu joguei meu cabelo para trás sobre o meu ombro, pegando o fio da nossa conversa anterior. “De qualquer jeito, eu não posso sair em noites de escola.”
“Que pena. Tem uma festa na costa. Achei que pudéssemos ir.” Ele realmente soou sincero.
Eu não conseguia entendê-lo. Não mesmo. O tremor quente de antes ainda prolongava-se no meu sangue, e eu tomei um longo gole do meu canudo, tentando esfriar meus sentimentos com uma dose de água gelada. Tempo sozinha com Patch seria intrigante, e perigoso. Eu não tinha certeza de como exatamente, mas eu estava confiando nos meus instintos nessa.
Eu fingi um bocejo. “Bem, como eu disse, é uma noite de escola.” Na esperança de convencer a mim mesma mais do que ele, eu acrescentei, “Se essa festa é algo na qual você está interessado, eu posso quase garantir que eu não estarei.”
Pronto, eu pensei. Caso encerrado.
E então, sem nenhum aviso qualquer, eu disse, “Por que você está me chamando, de qualquer jeito?”
Até esse momento, eu fiquei dizendo a mim mesma que não ligava para o que Patch pensava de mim. Mas agora, eu sabia que era uma mentira. Mesmo que isso provavelmente voltasse para me assombrar, eu estava curiosa o bastante sobre Patch para ir a quase qualquer lugar com ele.
“Eu quero ficar com você a sós,” Patch disse. Bem dessa maneira, minhas defesas atacaram.
“Escuta, Patch, eu não quero ser rude, mas –”
“Claro que quer.”
“Bom, você começou!” Adorável. Muito maduro. “Eu não posso ir na festa. Fim de papo.”
“Por que você não pode sair em uma noite de escola, ou por que você tem medo de ficar sozinha comigo?”
“Ambos.” A confissão simplesmente escorregou de mim.
“Você tem medo de todos os caras... ou só de mim?”
Eu girei meus olhos, como se para dizer que não ia responder uma pergunta tão insana.
“Eu te deixo desconfortável?” Sua boca permaneceu uma linha neutra, mas eu detectei um sorriso de especulação preso atrás dela.
Sim, na verdade, ele tinha esse efeito em mim. Ele também tinha a tendência de apagar todos os pensamentos lógicos da minha mente.
“Me desculpe,” eu disse. “Sobre o que estávamos falando?”
“Você.”
“Eu?”
“A sua vida pessoal.”
Eu ri, incerta de que outra resposta dar. “Se isso for sobre mim... e o sexo oposto... Vee já fez esse discurso. Não preciso ouvi-lo duas vezes.”
“E o que a velha e sábia Vee disse?”
Eu estava brincando com as minhas mãos, e as deslizei para fora de visão. “Não consigo imaginar o por que de você estar tão interessado.”
Ele balançou suavemente sua cabeça. “Interessado? Estamos falando de você. Estou fascinado.” Ele sorriu, e foi um sorriso fantástico. O efeito foi uma pulsação avassaladora – a minha pulsação avassaladora.
“Eu acho que você deveria voltar ao trabalho,” eu disse.
“Se é que isso conta, eu gosto da ideia de que não haja um cara na escola que corresponda às suas expectativas.”
“Eu esqueci que você é a autoridade das minhas supostas expectativas,” eu fiz troça.
Ele me estudou de um jeito que me fez parecer transparente. “Você não é cautelosa, Nora. Não é tímida, tampouco. Você só precisa de uma razão muito boa para sair do seu caminho para conhecer alguém.”
“Eu não quero mais falar de mim.”
“Você acha que desvendou tudo.”
“Não é verdade,” eu disse. “Por exemplo, bem, assim, eu não sei muito sobre... você.”
“Você não está pronta para me conhecer.”
Não havia nada de leve no jeito como ele disse isso. De fato, sua expressão era afiada como uma navalha.
“Eu olhei no seu arquivo estudantil.”
Minhas palavras pairaram no ar por um instante antes que os olhos de Patch se alinhassem com os meus. “Estou bastante certo de que isso é ilegal,” ele disse calmamente.
“Seu arquivo estava vazio. Nada. Nem mesmo uma ficha médica.”
Ele não fingiu parecer surpreso. Ele relaxou de volta em seu assento, os olhos brilhando obsidianamente. “E você está me contando isso porque tem medo que eu cause um surto? Sarampo, ou caxumba?”
“Estou te contando isso porque eu quero que você saiba que eu sei que algo sobre você não é certo. Você não enganou a todos. Eu vou descobrir o que você está aprontando. Eu vou te expor.”
“Estou ansioso por isso.”
Eu corei, captando a insinuação tarde demais. Por sobre a cabeça do Patch, eu consegui ver a Vee tecendo seu caminho pelas mesas.
Eu disse, “Vee está vindo. Você tem que ir.”
Ele ficou no lugar, olhando-me, considerando.
“Por que está me olhando desse jeito?” eu desafiei.
Ele inclinou-se para frente, preparando-se para levantar. “Porque você não é nem um pouco como eu esperava.”
“Nem você,” eu reagi. “Você é pior.”

Capitulo 4

Sussurro - Capitulo 4

VOANDO POR HAWTHORNE, EU PASSEI PELA MINHA casa, dei a volta, cortei até Beech, e me dirigi de volta em direção ao centro de Coldwater. Eu disquei o número da Vee através da agenda eletrônica.
“Algo aconteceu – eu – ele – a coisa – do nada – o Neon –”
“Está falhando. O quê?”
Eu limpei meu nariz com as costas da minha mão. Eu estava tremendo até meus dedos do pé. “Ele surgiu do nada.”
“Quem?”
“Ele –” eu tentei prender meus pensamentos e canalizá-los em palavras. “Ele pulou na frente do carro!”
“Ai, cara. Ai-cara-ai-cara-ai-cara. Você acertou um veado? Você está bem? E o Bambi?” Ela meio choramingou, meio gemeu. “O Neon?”
Eu abri minha boca, mas Vee me cortou.
“Esquece. Eu tenho seguro. Só me diga que não tem pedaços de veado em todo o meu bebê... Nada de pedaços de veado, certo?”
Qualquer resposta que eu estive prestes a dar se dissipou no plano de fundo. Minha mente estava dois passos na frente. Um veado. Talvez eu conseguisse fazer o negócio todo parecer com uma batida em um veado. Eu queria me confidenciar na Vee, mas eu não queria soar louca, tampouco. Como eu ia explicar assistir ao cara que eu tinha atingido se levantar e começar a arrancar a porta do carro? Eu estiquei meu colarinho para baixo do meu ombro. Nenhuma marca vermelha onde ele tinha me agarrado, que eu conseguisse ver...
Eu me dei conta de mim mesma com assombro. Eu realmente estava considerando negar o que tinha acontecido? Eu sabia o que eu tinha visto. Não foi a minha imaginação.
“Santa bizarrice,” Vee disse. “Você não está respondendo. O veado está preso nos faróis, não está? Você está dirigindo por aí com ele travado na frente do carro como um trator para evacuar neve.”
“Posso dormir na sua casa?” Eu queria sair das ruas. Sair da escuridão. Com uma inspiração súbita de ar, eu percebi que para ir para a casa da Vee, eu teria que dirigir de volta pelo cruzamento onde eu tinha atingido-o.
“Eu estou no meu quarto,” disse Vee. “Pode entrar. Te vejo daqui a pouco.”
Com as minhas mãos apertadas no volante, eu empurrei o Neon pela chuva, rezando para que o sinal em Hawthorne estivesse verde em meu favor. Estava, e eu ladrilhei pelo cruzamento, mantendo meus olhos diretamente a frente, mas ao mesmo tempo, roubando olhadelas para as sombras ao lado da estrada. Não havia sinal do cara de máscara de esqui.
Dez minutos mais tarde eu estacionei o Neon na entrada da Vee. O dano à porta era extensivo, e eu tive que colocar meu pé nela e chutar para conseguir sair. Então eu corri para a porta da frente, escapuli para dentro, e corri pela escada do porão.
Vee estava sentada de pernas cruzadas em sua cama, o caderno apoiado em seus joelhos, os fones enfiados, o iPod ligado no máximo. “Eu quero ver o dano hoje a noite, ou devo esperar até ter pelo menos tido sete horas de sono?” ela disse por cima da música.
“Talvez a opção número dois.”
Vee fechou o caderno e tirou os fones. “Vamos acabar com isso logo.”
Quando fomos para fora, eu encarei o Neon por um longo tempo. Não era uma noite quente, mas o tempo não era a causa dos arrepios ondulando nos meus braços. Nada de janela do lado do motorista quebrada. Nada de amasso na porta.
“Algo não está certo,” eu disse. Mas Vee não estava escutando. Ela estava ocupada inspecionando cada centímetro quadrado do Neon.
Eu dei um passo para frente e cutuquei a janela do lado do motorista. Vidro sólido. Eu fechei meus olhos. Quando eu os reabri, a janela ainda estava intacta.
Eu dei uma volta pela traseira do carro. Eu tinha quase completado uma volta inteira quando eu parei de imediato.
Uma fina rachadura no para-brisa.
Vee a viu ao mesmo tempo. “Tem certeza de que não foi um esquilo?”
Minha mente relampejou de volta para os olhos letais atrás da máscara de esqui. Eles eram tão negros que eu não conseguia distinguir as pupilas das íris. Negros como... os de Patch.
“Olhe para mim, estou chorando lágrimas de alegria,” Vee disse, esparramando-se sobre o capô do Neon em um abraço. “Uma rachadura minusculinha. Só isso!”
Eu fabriquei um sorriso, mas meu estômago azedou-se. Há cinco minutos, a janela estava quebrada e a porta estava curvada. Olhando para o carro agora, parecia impossível. Não, parecia loucura. Mas eu vi o punho dele dar um soco no vidro, e eu senti as unhas dele mordiscarem meu ombro.
Não tinha?
Quanto mais eu tentava relembrar da batida, mais eu não conseguia. Pequenas manchas de informação perdida cruzavam minha memória. Os detalhes estavam se dissipando. Ele era alto? Baixo? Magro? Grande? Ele tinha dito alguma coisa?
Eu não conseguia me lembrar. Essa era a parte mais assustadora.
Vee e eu deixamos sua cama as sete e quinze na manhã seguinte e dirigimos até o Enzo’s Bistro para tomar de café da manhã leite fervido. Com minhas mãos encaixadas ao redor da minha xícara de porcelana, eu tentei aquecer o frio profundo dentro de mim. Eu tinha tomado banho, colocado uma veste de baixo e um cardigã emprestados do armário da Vee, e posto um pouco de maquiagem, mas eu mal lembrava de ter feito isso.
“Não olhe agora,” Vee disse. “mas o Sr. Suéter Verde fica olhando para cá, estimando suas longas pernas pela sua calça jeans... Ah! Ele acabou de me saudar. Não estou brincando. Uma saudaçãozinha militar de dois dedos. Que adorável.”
Eu não estava escutando. O acidente da noite passada tinha repassado inteiramente na minha cabeça a noite toda, perseguindo qualquer chance de sono. Meus pensamentos estavam embaralhados, meus olhos estavam secos e pesados, e eu não conseguia me concentrar.
“O Sr. Suéter Verde parece normal, mas o companheiro dele parece um bad boy da pesada,” disse Vee. “Emite um certo sinal não-mexa-comigo. Diz que ele não parece com a cria do Drácula. Diz que eu estou imaginando coisas.”
Levantando meus olhos justamente o bastante para dar uma olhada nele sem parecer que eu estava, eu absorvi seu rosto lindo de ossos suaves. Cabelo loiro pairava em seus ombros. Olhos da cor de cromo. Barba por fazer. Impecavelmente vestido em uma jaqueta impecável e calça jeans escura de designer. Eu disse, “Você está imaginando coisas.”
“Você deixou passar os olhos inexpressivos? A linha capilar em V? O porte alto e esbelto? Ele talvez até seja alto o bastante para mim.”
Vee tem quase 1,83 metros, mas ela tem uma quedinha por saltos. Saltos altos. Ela também tem uma regra sobre não namorar caras baixos.
“Está bem, qual o problema?” Vee perguntou. “Você ficou toda incomunicável. Isso não é por causa da rachadura no para-brisa, é? E daí que você atingiu um animal? Podia acontecer a qualquer um. Claro, as chances seriam muito menores se a sua mãe se mudasse do mato.”
Eu ia contar a Vee a verdade sobre o que tinha acontecido. Em breve. Eu só precisava de um pouco de tempo para ordenar os detalhes. O problema era que eu não via como eu poderia. Os únicos detalhes sobrando eram assustadores, na melhor das hipóteses. Era como se uma borracha tivesse apagado a minha memória. Pensando de volta, eu me lembrava da chuva pesada caindo como cascata nas janelas do Neon, fazendo com que tudo ficasse borrado. Eu teria de fato atingido um veado?
“Hmm, dá uma olhada nisso,” disse Vee. “O Sr. Suéter Verde está saindo do seu assento. Agora, esse é um corpo que frequenta a academia regularmente. Ele definitivamente está caminhando na nossa direção, seus olhos procurando a propriedade, a sua propriedade, isso é.”
Uma meia batida mais tarde, fomos cumprimentadas por um baixo e agradável, “Olá.”
Vee e eu olhamos para cima ao mesmo tempo. O Sr. Suéter Verde estava atrás da nossa mesa, seus dedões presos nos bolsos de sua calça jeans. Ele tinha olhos azuis, com cabelo loiro estilosamente bagunçado arrastado em sua testa.
“Olá para você,” Vee disse. “Eu sou Vee. Esta é Nora Grey.”
Eu franzi para Vee. Eu não apreciava ela anexando meu sobrenome, sentindo que isso violava um contrato não-verbal entre meninas, ainda mais melhores amigas, ao encontrar garotos desconhecidos. Eu dei um aceno indiferente e trouxe minha xícara aos meus lábios, imediatamente queimando minha língua.
Ele arrastou uma cadeira da mesa ao lado e se sentou de costas nela, seus braços descansando onde suas costas deveriam estar. Esticando uma mão para mim, ele disse, “Eu sou Elliot Saunders.” Sentindo-me formal demais, eu apertei-a. “E esse é Jules,” ele acrescentou, sacudindo seu queixo na direção de seu amigo, que Vee tinha subestimado grosseiramente ao chamar de “alto”.
Jules abaixou todo o seu eu em um assento ao lado de Vee, minimizando a cadeira.
Ela disse para ele, “Eu acho que você é o maior cara que eu já vi. Sério, quanto você mede?”
“Dois metros e oito,” Jules murmurou, tombando em seu assento e cruzando seus braços.
Elliot limpou sua garganta. “Posso pedir algo para as damas comerem?”
“Estou bem,” eu disse, levantando minha xícara. “Eu já pedi.”
Vee me chutou por debaixo da mesa. “Ela vai querer um sonho recheado de creme de baunilha. Na verdade, dois.”
“Lá se foi a dieta, hein?” eu perguntei a Vee.
“Hein para você. A fava de baunilha é uma fruta. Uma fruta marrom.”
“É um legume.”
“Você tem certeza disso?”
Eu não tinha.
Jules fechou seus olhos e apertou a ponte do seu nariz. Aparentemente ele estava tão animado de estar sentado conosco quanto eu estava de tê-los aqui.
Enquanto Elliot andava até o balcão frontal, eu deixei meus olhos arrastarem-se até ele. Ele definitivamente estava no ensino médio, mas eu não tinha visto ele na CHS antes. Eu me lembraria. Ele tinha uma personalidade charmosa e extrovertida que não se dissipava no plano de fundo. Se eu não estivesse me sentindo tão abalada, eu de fato poderia ter me interessado. Em amizade, talvez mais.
“Você mora por aqui?” Vee perguntou a Jules.
“Hmm.”
“Vai para escola?”
“Kinghorn Prep.” Havia uma matiz de superioridade no jeito como ele disse isso.
“Nunca ouvi falar.”
“Escola particular. Portland. Começamos as nove.” Ele levantou sua manga e olhou para seu relógio.
Vee mergulhou um dedo na espuma de seu leite e o lambeu. “É caro?”
Jules olhou para ela diretamente pela primeira vez. Seus olhos se esticaram, mostrando um pouco de branco ao redor das beiradas.
“Você é rico? Aposto que é,” ela disse.
Jules olhou Vee como se ela tivesse acabado de matar uma mosca na testa dele. Ele recuou sua cadeira várias centímetros, se distanciando de nós.
Elliot retornou com uma caixa com meia dúzia de sonhos.
“Dois de creme de baunilha para as damas,” ele disse, empurrando a caixa na minha direção, “e quatro com confeitos para mim. Acho que é melhor eu me encher agora, já que eu não sei como é a lanchonete na Coldwater High.”
Vee quase cuspiu seu leite. “Você frequenta a CHS?”
“A partir de hoje. Eu acabei de me transferir da Kinghorn Prep.”
“Nora e eu frequentamos a CHS,” Vee disse. “Espero que aprecie sua boa sorte. Qualquer coisa que precise saber – incluindo quem deve convidar para o Baile da Primavera – é só perguntar. Nora e eu não temos pares... ainda.”
Eu decidi que era hora de nos separarmos. Jules estava obviamente entediado e irritado, e ficar na companhia dele não estava ajudando o meu humor já impaciente. Eu fiz uma grande apresentação ao olhar no relógio do
meu celular e disse, “É melhor irmos para escola, Vee. Temos uma teste de biologia para o qual estudar. Elliot e Jules, foi bom conhecê-los.”
“Nosso teste de biologia não é até a sexta,” disse Vee.
Do lado de dentro, eu me contraio involuntariamente. Do lado de fora, eu sorrio descaradamente. “Certo. Eu quis dizer teste de inglês. As obras de... Geoffrey Chaucer.” Todos sabiam que eu estava mentindo.
De um jeito remoto minha grosseria me incomodava, especialmente já que Elliot não tinha feito nada para merecer isso. Mas eu não queria ficar mais sentada aqui. Eu queria continuar me movendo, me distanciando da noite passada. Talvez a memória diminuindo não fosse uma coisa tão ruim afinal. Quanto mais cedo eu esquecesse o acidente, mais cedo minha vida voltaria ao seu ritmo normal.
“Espero que tenha um ótimo primeiro dia, e talvez vejamos você no almoço,” eu disse a Elliot. Então eu arrastei Vee por seu cotovelo e a dirigi porta afora.
O dia escolar estava quase acabando, somente biologia faltando, e após uma rápida parada no meu armário para trocar livros, eu me dirigi para aula. Vee e eu chegamos antes de Patch; ela deslizou no assento vazio dele e cavou em sua mochila, puxando uma caixa de Hot Tamales.
“Um, a fruta vermelha saindo já,” ela disse, oferecendo-me a caixa.
“Deixe-me advinhar... canela é uma fruta?” eu empurrei a caixa para longe.
“Você não almoçou, tampouco,” Vee disse, franzindo a testa.
“Não estou com fome.”
“Mentirosa. Você está sempre com fome. Isso tem a ver com Patch? Você não está preocupada que ele esteja realmente perseguindo você, está? Porque na noite passada, aquele negócio todo na biblioteca, eu estava brincando.”
Eu massageei círculos pequenos nas minhas têmporas. A dor maçante que tinha tomado residência atrás dos meus olhos resplandeceram na menção de Patch. “Patch é a última das minhas preocupações,” eu disse. Não era exatamente verdade.
“Meu assento, se não se importa.”
Vee eu olhamos para cima simultaneamente ao som da voz de Patch.
Ele soava feliz o bastante, mas ele manteve seus olhos treinados na Vee enquanto ela se levantava e atirava sua mochila por seu ombro. Parecia que ela
não conseguia se mover rápida o bastante; ele passou seu braço pelo corredor, convidando-a para fora.
“Bonita como sempre,” ele disse para mim, tomando sua cadeira. Ele se reclinou, esticando suas pernas na sua frente. Eu sempre soubera que ele era alto, mas eu nunca tinha medido. Olhando para a extensão das pernas dele agora, eu pressupus que ele tivesse 1,83. Talvez até 1,85.
“Obrigada,” eu respondi sem pensar. Imediatamente eu quis retirar o que dissera. Obrigada? De todas as coisas que eu poderia ter dito, “obrigada” era a pior. Eu não queria que Patch pensasse que eu tinha gostado do elogio dele. Porque eu não tinha... na maior parte. Não precisava de muita percepção para perceber que ele era encrenca, e eu já tinha tido encrenca o bastante na minha vida. Não havia necessidade de convidar mais. Talvez se eu o ignorasse, ele eventualmente desistiria de puxar conversa. E então poderíamos sentar lado a lado em uma silenciosa harmonia, como todas as outras parcerias na sala.
“Você está cheirando bem também,” disse Patch.
“Chama-se banho.” Eu estava encarando diretamente a frente. Quando ele não respondeu, eu me virei de lado. “Sabonete. Shampoo. Água quente.”
“Pelada. Conheço o esquema.”
Eu abri minha boca para mudar de assunto quando o sinal me cortou.
“Coloquem seus livros de lado,” o Treinador disse de trás da sua mesa. “Vou dar um teste de treinamento para aquecê-los para o verdadeiro dessa sexta.” Ele parou na minha frente, lambendo seu dedo enquanto tentava separar os testes. “Eu quero quinze minutos de silêncio enquanto respondem as perguntas. Então discutiremos o capítulo sete. Boa sorte.”
Eu trabalhei nas primeiras questões, respondendo-as com uma efusão rítmica de fatos memorizados. Ao menos, o teste roubou minha concentração, empurrando o acidente da noite passada e a voz nos fundos da minha mente questionando a minha sanidade de lado. Parando para me livrar de uma câimbra da mão que escrevia, eu senti Patch se inclinar na minha direção.
“Você parece cansada. Noite difícil?” ele sussurrou.
“Eu te vi na biblioteca.” Tomei cuidado em deixar meu lápis deslizando por sobre o meu teste, parecendo concentrada no trabalho.
“O ponto alto da minha noite.”
“Você estava me seguindo?”
Ele reclinou sua cabeça e riu suavemente.
Eu tentei uma abordagem diferente. “O que você estava fazendo lá?”
“Pegando um livro.”
Eu senti os olhos do Treinador em mim e me dediquei ao teste. Após responder mais diversas perguntas, eu roubei uma olhadela à minha esquerda. Eu fiquei surpresa ao encontrar Patch já me observando. Ele sorriu.
Meu coração deu um salto inesperado, assustado por esse sorriso bizarramente atraente. Para o meu horror, eu fiquei tão alarmada que derrubei meu lápis. Ele saltou pelo tampo da mesa algumas vezes antes de rolar pela beirada. Patch se inclinou para apanhá-lo. Ele o segurou na palma de sua mão, e eu tive que me concentrar para não tocar na pele dele enquanto eu o pegava.
“Depois da biblioteca,” eu sussurrei. “Para onde você foi?”
“Por quê?”
“Você me seguiu?” eu exigi baixinho.
“Você parece um tanto irritada, Nora. O que aconteceu?” Suas sobrancelhas se levantaram em preocupação. Era tudo apresentação, porque havia uma faísca derrisória no centro de seus olhos negros.
“Você está me seguindo?”
“Por que eu iria querer te seguir?”
“Responda a pergunta.”
“Nora.” O aviso na voz do Treinador me chamou de volta para o teste. Mas eu não conseguia evitar especular sobre qual teria sido a resposta dele, e ela me fez querer deslizar para longe de Patch. Para o outro lado da sala. Para o outro lado do universo.
O Treinador gorjeou seu apito. “O tempo acabou. Passem seus testes para frente. Esperem perguntas similares nessa sexta. Agora” – ele juntou suas mãos, e o som seco dele me fez estremecer – “para a lição de hoje. Senhorita Sky, quer declarar o nosso tópico?”
“S-e-x-o,” Vee anunciou.
Precisamente após ela ter anunciado, eu desliguei. Patch estava me seguindo? Era ele o rosto por trás da máscara de esqui – se houvesse mesmo um rosto por trás da máscara? O que ele queria? Eu abracei meus cotovelos, de repente me sentindo muito gelada. Eu queria que a minha vida voltasse a ser do jeito que era antes de Patch entrasse de supetão na minha vida.
Ao final da aula, eu impedi Patch de ir embora. “Podemos conversar?”
Ele já estava de pé, então ele se sentou na beirada da mesa. “O que foi?”
“Eu sei que você não quer se sentar perto de mim mais do que eu quero me sentar perto de você. Eu acho que o Treinador pode considerar mudar os nossos assentos se você falar com ele. Se você explicar a situação –”
“A situação?”
“Nós não somos – compatíveis.”
Ele esfregou uma mão em sua mandíbula, um gesto calculado ao qual eu tinha me acostumado nos poucos dias que eu o conhecia. “Não somos?”
“Não estou anunciando notícias devastadoras aqui.”
“Quando o Treinador perguntou a minha lista de qualidades desejadas em uma companheira, eu dei você a ele.”
Minha boca caiu ligeiramente. “Retire o que disse.”
“Inteligente. Atraente. Vulnerável. Você discorda?”
Ele estava fazendo isso com o único propósito de me antagonizar, e isso só me irritava mais. “Você vai pedir ao Treinador para mudar os nossos assentos ou não?”
“Passo. Me afeiçoei a você.”
O que eu devia dizer a isso? Ele estava obviamente mirando para conseguir uma reação de mim. O que não era difícil, já que eu nunca conseguia dizer quando ele estava brincando, e quando ele estava sendo sincero.
Eu tentei injetar uma medida de equanimidade na minha voz. “Eu acho que você ficaria muito melhor sentado com outra pessoa. E acho que você sabe disso.” Eu sorri, tensa, mas educada.
“Acho que eu poderia acabar ao lado da Vee.” O sorriso dele parecia tão educado quando. “Não vou forçar a minha sorte.”
Vee apareceu do lado da nossa mesa, olhando entre mim e Patch. “Interrompendo algo?”
“Não,” eu disse, fechando a minha mochila com força. “Eu estava perguntando ao Patch sobre a leitura de hoje a noite. Eu não conseguia lembrar quais páginas o Treinador tinha passado.”
Vee disse, “A lição está no quadro, como sempre. Como se você já não tivesse lido-a.”
Patch riu, parecendo dividir uma piada particular com ele mesmo. Não pela primeira vez, eu desejei saber o que ele estava pensando. Porque as vezes eu tinha certeza que essas piadas particulares tinham tudo a ver comigo. “Algo mais, Nora?” ele disse.
“Não,” eu disse. “Vejo você amanhã.”
“Vou ficar esperando.” Ele piscou. Realmente piscou.
Após Patch estar fora de alcance, Vee agarrou meu braço. “Boas notícias. Cipriano. Esse é o sobrenome dele. Eu vi na lista de chamada do Treinador.”
“E isso é algo para se estar feliz porque...?”
“Todos sabem que os estudantes devem registrar remédios na enfermaria.” Ela puxou o bolso fronteiro da minha mochila, onde eu mantinha minhas pílulas de ferro. “Igualmente, todos sabem que a enfermaria está convenientemente
localizada no lado de dentro do escritório principal, onde, acontece, as fichas estudantis também são mantidas.”
Os olhos ardentes, Vee travou seu braço no meu e puxou-me na direção da porta. “Hora de fazer uma investigação de verdade.”

Ler Online: O Beijo da Meia Noite

terça-feira, 7 de maio de 2013

O beijo da Meia-Noite - Lara Adrian

Um estranho moreno e sensual a observava do outro lado da boate, e foi capaz de despertar as mais profundas fantasias em Gabrielle Maxwell. Mas nada a respeito desta noite – ou deste homem – é o que parece. Pois, quando Gabrielle presencia um assassinato nos arredores da boate, a realidade se transforma em algo obcuro e mortal. Nesse instante devastador, Gabrielle é lançada em um mundo que jamais imaginou existir – um mundo onde vampiros espreitam nas sombras e uma guerra de sangue está para começar. Lucan Thorne despreza a violência de seus irmãos sem lei. Ele próprio um vampiro, é um guerreiro de Raça, e jurou proteger sua espécie – e os humanos imprudentes com quem convivem – da ameaça crescente dos Renegados. Lucan não pode arriscar um relacionamento com uma mulher mortal, mas, quando seus inimigos escolhem Gabrielle como vítima, sua única escolha é trazê-la para o escuro submundo que comanda. Aqui, nos braços do intimidante líder da Raça, Gabrielle enfrentará um destino extraordinário, repleto de perigos, sedução, e dos mais sombrios prazeres…

O Beijo da Meia-Noite - Série Midnight Breed #1 - Lara Adrian

quarta-feira, 1 de maio de 2013


O Despertar - Ler Online

Prefácio
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16

A Hospedeira - Ler Online

Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos "selvagens" que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a "alma" invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.

Pergunta 
Prólogo 
Cápitulo 1 - Lembrada 
Cápitulo 2 - Ouvido em segredo 
Cápitulo 3 - Impedida 
Cápitulo 4 - Sonhado 
Cápitulo 5 - Desconfortada 
Cápitulo 6 - Seguida 
Cápitulo 7 - Confrontada 
Cápitulo 8 - Amada 
Cápitulo 9 - Descoberta 
Cápitulo 10 - Mudada 
Capítulo 11 - Desidratada
Capítulo 12 - Frustradas
Capítulo 13 - Sentenciada
Capítulo 14 - Disputada
Capítulo 15 - Guardada
Capítulo 16 - Encarregados
Capítulo 17 - Visitada
Capítulo 18 - Entediada
Capítulo 19 - Abandonada
Capítulo 20 - Libertada
Capítulo 21 - Batizada
Capítulo 22 - Cansada
Capítulo 23 - Confessada
Capítulo 24 - Tolerada
Capítulo 25 - Forçada
Capítulo 26 - Retornados
Capítulo 27 - Indecisas
Capítulo 28 - Desinformada
Capítulo 29 - Traída
Capítulo 30 - Reduzida
Capítulo 31 - Necessária
Capítulo 32 - Emboscada
Capítulo 33 - Desacreditada
Capítulo 34 - Enterrado
Capítulo 35 - Julgado
Capítulo 36 - Acatada
Capítulo 37 - Desejada
Capítulo 38 - Tocada
Capítulo 39 - Preocupada
Capítulo 40 - Horrorizada
Capítulo 41 - Sumida
Capítulo 42 - Forçada
Capítulo 43 - Arrebatados
Capítulo 44 - Curada
Capítulo 45 - Bem-sucedida
Capítulo 46 - Rodeada
Capítulo 47 - Aproveitada
Capítulo 48 - Parados
Capítulo 49 - Interrogada
Capítulo 50 - Sacrificada
Capítulo 51 - Preparada
Capítulo 52 - Separada
Capítulo 53 - Condenada
Capítulo 54 - Esquecida
Capítulo 55 - Vinculados
Capítulo 56 - Amalgamados
Capítulo 57 - Pronta
Capítulo 58 - Morta
Capítulo 59 - Lembrada
Epílogo