terça-feira, 7 de maio de 2013

O beijo da Meia-Noite - Lara Adrian

Um estranho moreno e sensual a observava do outro lado da boate, e foi capaz de despertar as mais profundas fantasias em Gabrielle Maxwell. Mas nada a respeito desta noite – ou deste homem – é o que parece. Pois, quando Gabrielle presencia um assassinato nos arredores da boate, a realidade se transforma em algo obcuro e mortal. Nesse instante devastador, Gabrielle é lançada em um mundo que jamais imaginou existir – um mundo onde vampiros espreitam nas sombras e uma guerra de sangue está para começar. Lucan Thorne despreza a violência de seus irmãos sem lei. Ele próprio um vampiro, é um guerreiro de Raça, e jurou proteger sua espécie – e os humanos imprudentes com quem convivem – da ameaça crescente dos Renegados. Lucan não pode arriscar um relacionamento com uma mulher mortal, mas, quando seus inimigos escolhem Gabrielle como vítima, sua única escolha é trazê-la para o escuro submundo que comanda. Aqui, nos braços do intimidante líder da Raça, Gabrielle enfrentará um destino extraordinário, repleto de perigos, sedução, e dos mais sombrios prazeres…

O Beijo da Meia-Noite - Série Midnight Breed #1 - Lara Adrian

quarta-feira, 1 de maio de 2013


O Despertar - Ler Online

Prefácio
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16

A Hospedeira - Ler Online

Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos "selvagens" que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a "alma" invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.

Pergunta 
Prólogo 
Cápitulo 1 - Lembrada 
Cápitulo 2 - Ouvido em segredo 
Cápitulo 3 - Impedida 
Cápitulo 4 - Sonhado 
Cápitulo 5 - Desconfortada 
Cápitulo 6 - Seguida 
Cápitulo 7 - Confrontada 
Cápitulo 8 - Amada 
Cápitulo 9 - Descoberta 
Cápitulo 10 - Mudada 
Capítulo 11 - Desidratada
Capítulo 12 - Frustradas
Capítulo 13 - Sentenciada
Capítulo 14 - Disputada
Capítulo 15 - Guardada
Capítulo 16 - Encarregados
Capítulo 17 - Visitada
Capítulo 18 - Entediada
Capítulo 19 - Abandonada
Capítulo 20 - Libertada
Capítulo 21 - Batizada
Capítulo 22 - Cansada
Capítulo 23 - Confessada
Capítulo 24 - Tolerada
Capítulo 25 - Forçada
Capítulo 26 - Retornados
Capítulo 27 - Indecisas
Capítulo 28 - Desinformada
Capítulo 29 - Traída
Capítulo 30 - Reduzida
Capítulo 31 - Necessária
Capítulo 32 - Emboscada
Capítulo 33 - Desacreditada
Capítulo 34 - Enterrado
Capítulo 35 - Julgado
Capítulo 36 - Acatada
Capítulo 37 - Desejada
Capítulo 38 - Tocada
Capítulo 39 - Preocupada
Capítulo 40 - Horrorizada
Capítulo 41 - Sumida
Capítulo 42 - Forçada
Capítulo 43 - Arrebatados
Capítulo 44 - Curada
Capítulo 45 - Bem-sucedida
Capítulo 46 - Rodeada
Capítulo 47 - Aproveitada
Capítulo 48 - Parados
Capítulo 49 - Interrogada
Capítulo 50 - Sacrificada
Capítulo 51 - Preparada
Capítulo 52 - Separada
Capítulo 53 - Condenada
Capítulo 54 - Esquecida
Capítulo 55 - Vinculados
Capítulo 56 - Amalgamados
Capítulo 57 - Pronta
Capítulo 58 - Morta
Capítulo 59 - Lembrada
Epílogo

Cápitulo 3.

Sussurro - Capitulo 3

Capítulo Três
O TREINADOR MCCONAUGHTY FICOU DE PÉ NO QUADRO-NEGRO falando com monotonia sem parar sobre algo, mas a minha mente estava distante das complexidades da ciência.
Eu estava ocupada formulando razões para o porque Patch e eu não deveríamos mais ser parceiros, fazendo uma lista delas atrás de um teste velho. Assim que a aula acabasse, eu apresentaria meus argumentos para o Treinador. Não coopera em tarefas, eu escrevi. Mostra pouco interesse em trabalhos de equipe.
Mas eram as coisas que não estavam listadas que me incomodavam. Eu achava a localização da marca de nascença de Patch estranha, e eu fiquei assustada com o acidente na minha janela na noite passada. Eu não suspeitei de imediato de Patch me espionando, mas eu não conseguia ignorar a coincidência de que eu tinha quase certeza de ter visto alguém olhando na minha janela só horas depois de tê-lo conhecido.
Ao pensar em Patch me espionando, eu alcancei o compartimento dianteiro da minha mochila e chacoalhei duas pílulas de ferro de uma garrafa, engolindo-as inteiro. Elas prenderam na minha garganta por um instante, então acharam seu caminho na descida.
De canto de olho, eu capturei as sobrancelhas erguidas de Patch.
Eu considerei explicar que eu era anêmica e que tinha que tomar ferro algumas vezes por dia, especialmente quando estava estressada, mas eu pensei melhor. A anemia não era uma questão de vida ou morte... contanto que eu tomasse doses regulares de ferro. Eu não era paranóica ao ponto de pensar que Patch queria me ferir, mas de algum modo, minha condição médica era uma vulnerabilidade que parecia melhor guardada em segredo.
“Nora?”
O Treinador ficou de pé na frente da sala, sua mão esticada em um gesto que mostrava que ele estava esperando por uma coisa – minha resposta. Uma queimação vagarosa achou seu caminho até as minhas bochechas.
“Você poderia repetir a pergunta?” eu perguntei.
A sala deu risinhos.
O Treinador disse, com uma leve irritação, “Quais as qualidade que te atraem em um parceiro em potencial?”
“Parceiro em potencial?”
“Vamos lá, não temos a tarde toda.”
Eu conseguia ouvir a Vee rindo atrás de mim.
Minha garganta pareceu se contrair. “Você quer que eu liste características de um...?”
“Parceiro em potencial, sim, isso seria prestativo.”
Sem querer fazê-lo, eu olhei de lado para Patch. Ele estava relaxado em seu assento, quase preguiçosamente, estudando-me com satisfação. Ele deu um relampejo de seu sorriso de pirata e balbuciou, Estamos esperando.
Eu empilhei minhas mãos na mesa, esperando parecer mais contida do que eu me sentia. “Eu nunca pensei nisso antes.”
“Bem, pense rápido.”
“Você poderia chamar outra pessoa primeiro?”
O Treinador gesticulou impacientemente para a minha esquerda. “É com você, Patch.”
Ao contrário de mim, Patch falou com confiança. Ele se posicionou para que seu corpo ficasse virado ligeiramente na direção do meu, nossos joelhos a meros centímetros de distância.
“Inteligente. Atraente. Vulnerável.”
O Treinador estava ocupado listando os adjetivos no quadro. “Vulnerável?” ele perguntou. “Como assim?”
Vee falou. “Isso tem alguma coisa a ver com a unidade que estamos estudando? Porque eu não consigo achar nada sobre características desejadas em um parceiro em lugar alguma do nosso texto.”
O Treinador parou de escrever tempo o bastante para olhar sobre seu ombro. “Todos os animais no planeta atraem parceiros com o objetivo de reproduzir. Sapos incham seus corpos. Gorilas machos batem em seus peitos. Você já observou uma lagosta macho subir nas pontas dos pés e estalar suas garras, exigindo a atenção da fêmea? Atração é o primeiro elemento de toda a reprodução animal, incluindo os humanos. Por que não nos dá a sua lista, Srta. Sky?”
Vee levantou cinco dedos. “Lindo, rico, indulgente, ferozmente protetor, e só um pouquinho perigoso.” Um dedo descia com cada descrição.
Patch riu baixinho. “O problema com a atração humana é não saber se ela será retornada.”
“Excelente argumento,” o Treinador disse.
“Humanos são vulneráveis,” Patch continuou, “porque são capazes de se magoar.” Com isso o joelho de Patch bateu contra o meu. Eu me afastei, não ousando me deixar perguntar o que ele queria dizer com o gesto.
O Treinador acenou. “A complexidade da atração humana – e da reprodução – é uma das características que nos diferenciam das outras espécies.”
Eu pensei ter ouvido Patch bufar com isso, mas foi um som muito suave, e eu não consegui ter certeza.
O Treinador continuou, “Desde o começo dos tempos as mulheres se atraíram por parceiros com habilidades de sobrevivência fortes – como inteligência e proeza física – porque homens com essas qualidades tem mais chances de trazer a janta para casa no final do dia.” Ele levantou dois dedões no ar e sorriu. “Janta equivale a sobrevivência, time.”
Ninguém riu.
“Igualmente,” ele continuou, “os homens são atraídos pela beleza porque indica saúde e juventude – não há razão para se acasalar com uma mulher doente que não estará por perto para criar as crianças.” O Treinador empurrou seu óculos até a ponte do nariz e deu risada.
“Isso é tão sexista,” Vee protestou. “Me conte alguma coisa que se relacione a uma mulher no século vinte e um.”
“Se você abordar a reprodução aos olhos da ciência, Senhoria Sky, você verá que as crianças são a chave para a sobrevivência da nossa espécie. E quanto mais filhos você tem, maior a sua contribuição para o patrimônio genético.”
Eu praticamente escutei os olhos da Vee girando. “Eu acho que finalmente estamos chegando perto do tópico de hoje. Sexo.”
“Quase,” disse o Treinador, levantando um dedo. “Antes do sexo vem a atração, mas depois da atração vem a linguagem corporal. Você tem que comunicar ‘Estou interessado’ para um parceiro em potencial, só que não em tantas palavras.”
O Treinador apontou para o meu lado. “Certo, Patch. Digamos que você está numa festa. A sala está cheia de meninas de todas as formas e tamanhos diferentes. Você vê loiras, morenas, ruivas, algumas meninas de cabelo preto. Algumas são extrovertidas, enquanto outras aparentam ser tímidas. Você achou uma garota que encaixe no seu perfil – atraente, inteligente, e vulnerável. Como você a deixa saber que está interessado?”
“Escolho-a. Falo com ela.”
“Bom. Agora para a pergunta principal – como você sabe se ela está na sua ou se ela quer que você continue andando?”
“Eu a estudo,” Patch diz. “Eu descubro o que ela está pensando e sentindo. Ela não vai vir de supetão e me contar, e é por isso que eu tenho de prestar atenção. Ela vira seu corpo em direção ao meu? Ela olha nos meus olhos, então
desvia o olhar? Ela morde seu lábio e brinca com seu cabelo, como a Nora está fazendo agora?”
Risadas cresceram na sala. Eu derrubei minhas mãos em meu colo.
“Ela está na minha,” disse Patch, batendo na minha perna novamente. De todas as coisas, eu corei.
“Muito bem! Muito bem!” o Treinador disse, sua voz carregada, sorrindo amplamente para a nossa atenção.
“As veias de sangue no rosto da Nora estão se alargando e a pele dela está esquentando,” Patch disse. “Ela sabe que está sendo avaliada. Ela gosta da atenção, mas ela não tem certeza de como lidar com isso.”
“Eu não estou corando.”
“Ela está nervosa,” Patch disse. “Ela está acariciando seu braço para tirar a atenção de seu rosto para seu corpo, ou talvez para a pele dela. Ambos são pontos vencedores fortes.”
Eu quase engasguei. Ele está brincando, eu disse a mim mesma. Não, ele é insano. Eu não tenho experiência em lidar com lunáticos, e aparecia. Eu sentia que eu passava a maior parte do nosso tempo juntos encarando Patch, de boca aberta. Se eu tinha qualquer ilusão sobre ficar no mesmo nível dele, eu ia ter que bolar uma nova abordagem.
Eu coloquei minhas mãos contra a mesa, levantei meu queixo, e tentei parecer como se eu ainda possuísse alguma dignidade. “Isso é ridículo.”
Esticando seu braço ao seu lado com uma dissimulação exagerada, Patch o pendurou nas costas da minha cadeira. Eu tinha o estranho pressentimento que isso era uma ameaça mirada diretamente a mim, e que ele estava alheio e indiferente de como a turma recebia isso. Eles riam, mas ele não parecia ouvir, segurando os meus olhos tão unicamente com os seus próprios que eu quase acreditava que ele tinha esculpido um mundo pequeno e privado para nós que ninguém mais podia alcançar.
Vulnerável, ele balbuciou.
Eu travei meus tornozelos ao redor das pernas da minha cadeira e dei um solavanco para frente, sentindo o peso do braço dele cair das costas do assento. Eu não era vulnerável.
“E aí está!” o Treinador disse. “Biologia em ação.”
“Podemos por favor falar sobre sexo agora?” perguntou Vee.
“Amanhã. Leiam o capítulo sete e estejam prontos para uma discussão imediata.”
O sinal tocou, e Patch rangeu sua cadeira. “Isso foi divertido. Vamos fazer de novo algum dia.” Antes que eu pudesse bolar algo mais incisivo do que não, obrigada, ele se debruçou atrás de mim e desapareceu para fora da porta.
“Eu vou começar uma petição para despedirem o Treinador,” Vee disse, vindo até a minha mesa. “O que foi a aula hoje? Foi um pornô aguado. Ele praticamente colocou você e Patch em cima da sua mesa, na horizontal, sem suas roupas, fazendo A Coisa –”
Eu a focalizei com um olhar que dizia, Parece que eu quero uma repetição?
“Noossa,” Vee disse, recuando.
“Eu preciso falar com o Treinador. Te encontro no armário em dez minutos.”
“Sem dúvida.”
Eu caminhei até a mesa do Treinador, onde ele estava sentado encurvado sobre um livro de jogadas de basquete. Ao primeiro olhar, todos os Xs e Os faziam parecer que ele estava jogando jogo da velha.
“Oi, Nora,” ele disse em olhar para cima. “O que posso fazer por você?”
“Estou aqui para te dizer que seu novo mapa de assento e plano de aula está me deixando desconfortável.”
O Treinador relaxou em sua cadeira e dobrou suas mãos atrás de sua cabeça. “Eu gosto do mapa de assentos. Quase tanto quanto eu gosto desse jogo de homem-a-homem em que estou trabalhando para o jogo de sábado.”
Eu coloco uma cópia do código de conduta e direitos estudantis da escola bem no topo dele. “Por lei, nenhum estudante deveria se sentir ameaçado nas propriedades escolares.”
“Você se sente ameaçada?”
“Eu me sinto desconfortável. E eu gostaria de propor uma solução.” Quando o Treinador não me cortou, eu inspirei um sopro de confiança. “Eu monitorarei qualquer estudante das suas aulas de biologia – se você me sentar ao lado da Vee novamente.”
“Patch podia ser monitorado.”
Eu resisti cerrar meus dentes. “Isso acaba com o propósito.”
“Você o viu hoje? Ele estava envolvido na discussão. Eu não o ouvi dizer uma palavra o ano todo, mas eu coloco ele ao seu lado e – bingo. A nota dele aqui vai melhorar.”
“E a da Vee vai cair.”
“Isso acontece quando você não pode olhar pro lado pra pegar a resposta certa,” ele disse secamente.
“O problema da Vee é falta de dedicação. Eu monitorarei ela.”
“Nada feito.” Olhando para seu relógio, ele disse, “Estou atrasado para uma reunião. Acabamos aqui?”
Eu fiquei parada com a minha boca entreaberta, espremendo o meu cérebro para cuspir mais um argumento. Mas parecia que eu estava sem inspiração.
“Vamos dar ao mapa de assento mais algumas semanas. Ah, e eu falei sério sobre monitorar Patch. Vou considerar você dentro.” O Treinador não esperou pela minha resposta; ele assobiou a música tema de Jeopardy e mergulhou para fora da porta.
Às sete horas o céu tinha escurecido para um azul enegrecido, e eu fechei meu casaco para me aquecer. Vee e eu estávamos a caminho do cinema para o estacionamento, tendo acabado de assistir O Sacrifício.
Era meu trabalho resenhar filmes para o eZine, e já que eu já tinha visto todos os outros filmes passando no cinema, tínhamos nos resignado ao último suspense urbano.
“Esse,” Vee disse, “foi o filme mais bizarro que eu já vi. Como regra, não temos mais permissão de ver nada que sugira horror.
Por mim tudo bem. Levando em consideração que alguém estivera espreitando do lado de fora da janela do meu quarto na noite passada e combinando isso com um filme totalmente desenvolvido sobre um perseguidor essa noite, e eu estava começando a me sentir um tantinho paranóica.
“Consegue imaginar?” Vee disse. “Viver sua vida toda não tendo uma pista de que a única razão para que você é mantida viva é para ser usada como um sacrifício?”
Ambas estremecemos.
“E qual era a daquele altar?” ela continuou, irritantemente alheia que eu teria preferido falar sobre o círculo da vida de um fungo do que sobre o filme. “Por que aquele cara mau tocou fogo na pedra antes de amarrá-la? Quando eu escutei a carne dela chiar –”
“Está certo!” Eu praticamente gritei. “Para onde agora?”
“E posso só dizer que se um cara alguma vez me beijar desse jeito, eu vou começar a vomitar. Repulsivo não consegue descrever o que acontecia com a boca dele. Aquilo era maquiagem, certo? Quero dizer, ninguém realmente tem uma boca como aquela na vida real –”
“Minha resenha é para a meia-noite,” eu disse, cortando-a.
“Ah. Certo. Para a biblioteca, então?” Vee destrancou as portas de seu Dodge Neon roxo 1995. “Você está sendo terrivelmente sensível, sabe.”
Eu deslizei para o assento do passageiro. “Culpa do filme.” Culpa do pervertido na minha janela ontem a noite.
“Não estou falando só sobre hoje a noite. Eu notei,” ela disse com uma travessa curva de sua boca, “que você ficou excepcionalmente mal-humorada por uma boa meia hora no final da aula de biologia nos últimos dois dias.”
“Fácil também. Culpe o Patch.”
Os olhos da Vee moveram-se rapidamente para o espelho retrovisor. Ela o ajustou para olhar melhor seus dentes. Ela os lambeu, dando um sorriso praticado.
“Eu tenho que admitir, o lado obscuro dele me atrai.”
Eu não tinha desejo algum de admitir isso, mas Vee não estava sozinha. Eu me sentia atraída por Patch de uma maneira que eu nunca me senti atraída por ninguém. Havia um magnetismo obscuro entre nós. Perto dele, eu me sentia atraída pelos precipícios do perigo. A qualquer momento, parecia que ele podia me empurrar do precipício.
“Ouvir você dizer isso me fazer querer –” eu parei, tentando pensar exatamente no que a nossa atração pelo Patch me fazia querer fazer. Algo desagradável.
“Me diga que você não acha que ele é bonito,” Vee disse, “e eu prometo que nunca trarei o nome dele a tona novamente.”
Eu estiquei meu braço para ligar o rádio. De tudo, devia haver algo melhor a fazer do que arruinar a nossa noite convidando Patch, mesmo que de forma abstrata, para ela. Sentar ao lado dele por uma hora todo dia, cinco dias por semana, era muito mais do que eu podia aguentar. Eu não lhe daria minhas noites também.
“Bem?” Vee pressionou.
“Ele pode ser bonito. Mas eu seria a última a saber. Eu sou uma jurada maculada nessa questão, desculpa.”
“O que isso quer dizer?”
“Quer dizer que eu não consigo passar pela personalidade dele. Nenhuma quantidade de beleza pode compensá-la.”
“Beleza não. Ele é... ousado. Sexy.”
Eu girei meus olhos.
Vee buzinou e bateu em seu freio enquanto um carro parava na frente dela.
“O quê? Você discorda, ou rude-e-diabólico não é o seu tipo?”
“Eu não tenho um tipo,” eu disse. “Não sou tão restrita.”
Vee riu. “Você, querida, é mais do que restrita – você é confinada. Limitada. Seu espectro é tão largo quanto um dos micro-organismos do Treinador. Há muitos poucos, se há algum, garotos na escola por quem você ficaria caída.”
“Isso não é verdade.” Eu disse as palavras automaticamente. Não foi até eu tê-las dito que eu me perguntei o quanto eram acuradas. Eu nunca estive seriamente interessada em ninguém. Como eu era estranha. “Não tem a ver com garotos, tem a ver com... amor. Eu não o achei.”
“Não tem a ver com amor,” Vee disse. “Tem a ver com diversão.”
Eu levantei minhas sobrancelhas, duvidosa. “Beijar um cara que eu não conheço – que eu não gosto – é divertido?”
“Você não esteve prestando atenção na aula de biologia? É muito mais do que beijar.”
“Ah,” eu disse em uma voz iluminada. “O patrimônio genético está deturpado o bastante sem eu contribuir com ele.”
“Quer saber quem eu acho que seria realmente bom?”
“Bom?”
“Bom?” ela repetiu com um sorriso indecente.
“Não particularmente.”
“O seu parceiro.”
“Não chame ele disso,” eu disse. “Parceiro tem uma conotação positiva.”
Vee espremeu-se em uma vaga próxima das portas da biblioteca e deixou o motor morrer. “Você já fantasiou sobre beijá-lo? Você já deu uma espiadinha de lado e imaginou se jogar no Patch e comprimir sua boca contra a dele?”
Eu encarei ela com um olhar que esperava transmitir um choque alarmado. “Você já deu?”
Vee sorriu.
Eu tentei imaginar o que Patch faria se fosse apresentado a essa informação. Do pouco que eu sabia sobre ele, eu sentia sua aversão pela Vee como se fosse concreta o bastante para tocar.
“Ele não é bom o bastante para você,” eu disse.
Ela gemeu. “Cuidado, você só vai fazer eu querer ele ainda mais.”
Dentro da biblioteca nós pegamos uma mesa no térreo, perto de ficção adulta. Eu abri meu laptop e digitei: O Sacrifício, duas estrelas e meia. Duas e meia provavelmente era baixo. Mas eu tinha muito na minha mente e não estava me sentindo particularmente justa.
Vee abriu um saco de chips de maça seca. “Quer um pouco?”
“Não, obrigada.”
Ela espiou dentro do saco. “Se você não vai comê-las, eu terei que. E eu realmente não quero.”
Vee estava na dieta da fruta roleta-da-cor. Três frutas vermelhas por dia, duas azuis, um punhado de verdes...
Ela levantou um chip de maça, examinando-o de frente e de costas.
“Que cor?” eu perguntei.
“Verde-maça-de-fazer-vomitar-ovas-de-peixe. Eu acho.”
Bem então Marcie Millar, a única estudante do segundo ano do time de líderes de torcida na história da Coldwater High, tomou um assento na beirada de nossa mesa. Seu cabelo loiro morango estava penteado em marias-chiquinhas baixas, e como sempre, sua pele estava oculta debaixo de meio tubo de base. Eu estava positivamente certa de que tinha acertado a quantidade certa, já que não havia um traço de suas sardas a vista. Eu não via as sardas da Marcie desde a sétima série, o mesmo ano em que ela descobriu Mary Kay. Havia três quartos de dois centímetros entre a bainha de sua saia e o começo de sua calcinha... se ela estava ao menos usando uma.
“Oi, Gigante,” Marcie disse para Vee.
“Oi, Aberração,” Vee disse de volta.
“Minha mãe está procurando por modelos esse final de semana. O pagamento é nove dólares por hora. Pensei que você poderia estar interessada.”
A mãe da Marcie gerencia a JCPenney local, e nos finais de semana ela faz a Marcie e o resto das líderes de torcida modelaram em biquínis na janela de exposição encarando a rua da loja.
“Ela está tendo muita dificuldade em achar modelos de lingerie plus-size,” disse Marcie.
“Você tem comida presa nos seus dentes,” Vee disse a Marcie. “Na fenda entre os seus dois dentes da frente. Parece com o chocolate Ex-Lax...”
Marcie lambeu seus dentes e deslizou da mesa. Enquanto ela ia embora gingando, Vee enfiou seu dedo em sua boca e fez gestos de vômito para as costas da Marcie. “Ela tem sorte de estarmos na biblioteca,” Vee me disse. “Ela tem sorte de não termos nos cruzado em um beco escuro. Última chance – quer chips?”
“Passo.”
Vee vagou para descartar os chips. Alguns minutos depois ela retornou com um livro de romance. Ela tomou o assento ao meu lado e, mostrando a capa do livro, disse, “Algum dia seremos nós. Arrebatadas por caubóis parcialmente vestidos. Eu me pergunto como é beijar um par de lábios queimados pelo sol e com crostas de lama?”
“Sujo,” eu murmurei, digitando.
“Falando em sujo.” Houve um aumento inesperado em sua voz. “Lá está o nosso menino.”
Eu parei de digitar tempo o bastante para espiar sobre meu laptop, e meu coração pulou uma batida. Patch estava de pé do outro lado da sala na fila de empréstimo. Como se ele tivesse me sentido observando-o, ele se virou. Nossos olhos se trancaram por um, dois, três instantes. Eu quebrei-o primeiro, mas não antes de receber um sorriso vagaroso.
As batidas do meu coração ficaram erráticas, e eu disse a mim mesma para me controlar. Eu não ia ir por essa estrada. Não com o Patch. Não a não ser que eu estivesse louca.
“Vamos,” eu disse a Vee. Fechando meu laptop, eu o fechei dentro de sua pasta. Eu empurrei meus livros dentro da minha mochila, derrubando alguns no chão enquanto o fazia.
Vee disse, “Estou tentando ler o título que ele está segurando... espera aí… Como Ser um Perseguidor.”
“Ele não está emprestando um livro com esse título.” Mas eu não estava certa.
“É ou esse ou Como Irradiar Sensualidade Sem Tentar.”
“Shh!” Eu sibilei.
“Acalme-se, ele não consegue ouvir. Ele está falando com a bibliotecária. Ele está indo embora.”
Confirmando isso com uma rápida olhada, eu percebi que se fôssemos embora agora, provavelmente o encontraríamos na porta de saída. E então seria esperado que eu dissesse algo para ele. Eu me ordenei a voltar para a minha cadeira e procurei diligentemente nos meus bolsos por coisa alguma enquanto ele terminava de sair.
“Você acha que é sinistro ele estar aqui na mesma hora que nós?” Vee perguntou.
“Você acha?”
“Eu acho que ele está te seguindo.”
“Eu acho que é uma coincidência.” Isso não era inteiramente verdade. Se eu tivesse que fazer uma lista dos dez lugares em que eu esperaria encontrar Patch
em qualquer noite, a biblioteca pública não entraria. A biblioteca não entraria nos cem lugares. Então o que ele estava fazendo aqui?
A pergunta era particularmente perturbadora depois do que acontecera ontem a noite. Eu não tinha mencionado isso para Vee porque eu esperava que isso encolhesse e murchasse na minha memória até parasse de ter acontecido. Ponto.
“Patch!” Vee fingiu sussurrar. “Você está perseguindo a Nora?”
Eu fixei minha mão sobre a boca dela. “Para com isso. Falo sério.” Eu fiz uma cara severa.
“Aposto que ele está te seguindo,” disse Vee, forçando a minha mão a sair. “Eu aposto que ele tem um histórico disso também. Eu aposto que ele tem medidas cautelares. Deveríamos entrar escondidas no escritório principal. Tudo deve estar na ficha estudantil dele.”
“Não vamos entrar escondidas no escritório principal.”
“Eu podia criar uma distração. Sou boa em distrações. Ninguém veria você entrar. Poderíamos ser como espiãs.”
“Não somos espiãs.”
“Sabe o sobrenome dele?” Vee perguntou.
“Não.”
“Sabe alguma coisa sobre ele?”
“Não. E eu gostaria de continuar desse jeito.”
“Ah, vamos lá. Você ama um bom mistério, e não fica melhor que isso.”
“Os melhores mistérios envolvem um corpo morto. Não temos um corpo morto.”
Vee deu um gritinho. “Ainda não!”
Chacoalhando duas pílulas de ferro da garrafa na minha mochila, eu as engoli juntas.
Vee fez o Neon saltar em sua entrada logo depois das nove e meia. Ela desligou o motor e balançou as chave na minha frente.
“Você não vai me levar para casa?” eu perguntei. Um desperdício de fôlego, já que eu sabia a resposta dela.
“Tem névoa.”
“Uma névoa remendada.”
Vee sorriu. “Ah, cara. Ele está tão na sua mente. Não que eu te culpe. Pessoalmente, estou esperando sonhar com ele hoje a noite.”
Argh.
“E a névoa sempre piora perto da sua casa,” Vee continuou.
“Me assusta depois de escuro.”
Eu agarrei as chaves. “Muito obrigada.”
“Não me culpe. Diga a sua mãe para se mudar mais pra perto. Diga a ela que tem esse clube novo chamado civilização e que vocês deveriam se juntar.”
“Suponho que espera que eu te pegue antes da escola amanhã?”
“As sete e meia seria bom. Café da manhã por minha conta.”
“É melhor que seja bom.”
“Seja boazinha com o meu bebê.” Ela deu um tapinha no para-lama do Neon. “Mas não boazinha demais. Não posso fazê-la pensar que tem melhor aí fora.”
Na viagem para casa eu permiti que meus pensamentos fizessem uma pequena viagem para Patch.
Vee estava certa – algo sobre ele era incrivelmente sedutor. E incrivelmente sinistro. Quanto mais eu pensava sobre isso, mais eu estava convencida de que algo nele era... estranho. O fato dele gostar de me antagonizar não era exatamente digno de notícia, mas havia uma diferença entre me irritar durante a aula e possivelmente me seguir até a biblioteca para conseguir isso. Não são muitas as pessoas que se dariam a tanto trabalho... a não ser que tivessem uma boa razão.
Na metade do caminho para casa uma chuva incitou nuvens finas a cobrirem a estrada. Dividir minha atenção entre a estrada e os controles no volante, eu tentei localizar os limpadores.
As luzes da rua relinchavam acima e eu me perguntei se uma tempestade mais forte estava se aproximando. Tão perto assim do oceano o clima mudava constantemente, e uma pancada de chuva podia rapidamente se transformar em uma inundação.
Eu acelerei o Neon.
As luzes do lado de fora piscaram novamente. Um pressentimento gelado espetou a parte de trás do meu pescoço, e os pelos nos meus braços formigaram. Meu sexto sentido passou para um alerta máximo. Eu me perguntei se eu achava que estava sendo seguida. Não havia faróis no espelho retrovisor.
Nada de carros a frente, tampouco. Eu estava completamente sozinha. Não era um pensamento muito confortante. Eu acelerei o carro para setenta quilômetros.
Eu achei o limpador, mas mesmo na velocidade máxima eles não conseguiam manter o ritmo da chuva martelante. O sinaleiro a frente ficou amarelo.
Eu parei, chequei para ver se o tráfego estava vazio, então fui para a cruzamento.
Eu escutei o impacto antes de registrar a silhueta negra derrapando pelo capô do carro.
Eu gritei e pisei fundo no freio. A silhueta golpeou contra o para-brisa com uma explosão estilhaçante.
Em impulso, eu virei duramente o volante para a direita. O final do Neon desacelerou, mandando-me girando no cruzamento. A silhueta rolou e desapareceu pela beirada do capô.
Eu estava segurando minha respiração, apertando o volante entre minhas mãos de dobras brancas. Eu levantei meu pé dos pedais. O carro moveu-se rapidamente e parou.
Ele estava agachado a alguns metros, me observando. Ele não parecia nem um pouco... ferido.
Ele estava vestido totalmente de preto e misturava-se a noite, dificutando dizer como ele era. De primeira eu não consegui distinguir nenhum traço facial, e então eu percebi que ele estava usando uma máscara de esqui.
Ele ficou de pé, fechando a distância entre nós. Ele achatou suas palmas na janela do lado do motorista. Nossos olhos se conectaram através dos buracos na máscara. Um sorriso letal pareceu crescer nos dele.
Ele deu outro golpe, o vidro vibrando entre nós.
Eu dei partida no carro. Eu tentei sincronicamente colocá-lo na primeira marcha, empurrar o acelerador e soltar a embreagem. O motor entrou em movimento, mas o carro moveu-se rapidamente de novo e morreu.
Eu liguei o motor mais uma vez, mas fui distraída por um rosnado metálico desafinado. Eu observei com horror enquanto a porta começava a dobrar. Ele estava arrancando – ela – fora. Eu calquei o carro na primeira. Meus sapatos deslizaram por sobre os pedais.
O motor rugiu, a agulha de RPM no painel cravando na zona vermelha.
Seu punho passou pela janela numa explosão de vidro. Sua mão tateou meu ombro, fixando-se ao redor da minha mão. Eu dei um grito rouco, pisou com força no acelerador, e soltei a embreagem. O Neon guinchou em movimento. Ele segurou, apertando a minha mão, correndo ao lado do carro por diversos metros antes de soltar.
Eu acelerei para frente com a força da adrenalina. Eu chequei o espelho retrovisor para ter certeza de que ele não estava me perseguindo, então empurrei o espelho para encarar a distância. Eu tive que pressionar os meus lábios juntos para impedi-los de soluçar.

Cápitulo 2.

Sussurro - Capitulo 2

MINHA MÃE E EU VIVÍAMOS EM UMA FRIA casa de fazenda do século dezoito no limite de Coldwater. É a única casa na Alameda Hawthorne, e os vizinhos mais próximos estão há quase 1,6 quilômetros de distância. Às vezes me pergunto se o construtor original percebeu que de todos os pedaços de terra disponíveis, ele decidiu construir a casa no olho de uma misteriosa inversão atmosférica que parece sugar toda a névoa da costa do Maine e transplantá-la no nosso jardim. A casa estava nesse momento velada por uma melancolia que lembrava espíritos que escaparam e estão vagando.
Eu passei a noite plantada em um banquinho de bar na cozinha na companhia da lição de álgebra e Dorothea, nossa governanta. Minha mãe trabalha para a Empresa de Leião Hugo Renaldi, coordenando leilões imobiliários e de antiguidades em toda a costa oeste. Essa semana ela estava em Charleston, Carolina do Sul. Seu trabalho requeria muitas viagens, e ela pagava Dorothea para cozinhar e limpar, mas eu estava bem certa de que as letras miúdas da descrição do trabalho da Dorothea incluíam manter um olho observador e parental em mim.
“Como foi a escola?” Dorothea perguntou com um ligeiro sotaque alemão. Ela estava de pé na cozinha, esfregando lasanha cozida demais de uma caçarola.
“Tenho um novo parceiro de biologia.”
“Isso é uma coisa boa, ou uma coisa ruim?”
“Vee era a minha antiga parceira.”
“Humph.” Mais esfregação vigorosa, e a carne na parte superior do braço de Dorothea sacolejou. “Uma coisa ruim, então.”
Eu suspirei em concordância.
“Me conte sobre a sua nova parceira. Essa garota, como ela é?”
“Ele é alto, moreno, e irritante.” E misteriosamente fechado. Os olhos de Patch eram órbitas negras. Retendo tudo e retornando nada. Não que eu quisesse saber mais sobre o Patch. Já que eu não tinha gostado do que eu tinha visto na superfície, eu duvidava de que eu gostaria do que estivesse espreitando lá no fundo.
Só que, isso não era exatamente verdade. Eu tinha gostado muito do que eu tinha visto. Músculos longos e magros em seus braços, ombros largos, mas relaxados, e um sorriso que era parcialmente brincalhão, parcialmente sedutor.
Eu estava em uma aliança incômoda comigo mesma, tentando ignorar o que começara a parecer irresistível.
Às nove horas, Dorothea terminou o jantar e trancou a casa ao sair. Como forma de adeus, eu pisquei as luzes da varanda duas vezes; elas devem deve ter penetrado a névoa, porque ela respondeu com uma buzina. Eu estava sozinha.
Eu fiz um inventário dos sentimentos brincando dentro de mim. Eu não estava com fome. Eu não estava cansada. Eu não estava nem mesmo tão solitária. Mas eu estava um pouco inquieta sobre a minha tarefa de biologia. Eu tinha dito ao Patch que eu não ligaria, e seis horas atrás eu tinha falado sério. Tudo em que eu podia pensar agora era que eu não queria falhar. Biologia era a minha matéria mais difícil. Minha nota oscilava problematicamente entre 9 e 8. Na minha mente, essa era a diferença entre uma bolsa de estudos integral e parcial no meu futuro.
Eu fui para a cozinha e peguei o telefone. Eu olhei para o que tinha sobrado dos sete números ainda tatuados na minha mão. Secretamente, eu esperava que o Patch não atendesse a minha ligação. Se ele não estivesse disponível ou cooperasse nas tarefas, era uma evidência que eu podia usar contra ele para convencer o Treinador a desfazer o mapa de assentos. Sentindo-me esperançosa, eu digitei seu número.
Patch respondeu no terceiro toque. “E aí?”
Em um tom prosaico, eu disse, “Estou ligando para ver se podemos nos encontrar hoje à noite. Eu sei que você disse que está ocupado, mas –”
“Nora.” Patch disse meu nome como se fosse a parte final de uma piada. “Achei que você não fosse ligar. Nunca.”
Eu odiava estar comendo as minhas palavras. Eu odiava o Patch por estar esfregando-as. Eu odiava o Treinador por suas tarefas enlouquecedoras. Eu abri minha boca, esperando que algo inteligente saísse. “Bem, podemos nos encontrar ou não?”
“Acontece que eu não posso.”
“Não pode ou não vai?”
“Estou no meio de um jogo de sinuca.” Eu ouvi o sorriso em sua voz. “Um jogo de sinuca importante.”
Pelo barulho de fundo que eu ouvi em sua linha, eu acreditava que ele estava dizendo a verdade – sobre o jogo de sinuca. Se isso era mais importante que a minha tarefa de biologia, era debatível.
“Onde você está?” eu perguntei.
“Bo's Arcade. Não é o seu tipo de lugar.”
“Então vamos fazer a entrevista no telefone. Eu tenho uma lista de perguntas bem –”
Ele desligou na minha cara.
Eu encarei o telefone em descrença, então arranquei uma folha de papel em branco do meu caderno. Eu rabisquei Babaca na primeira linha. Na linha abaixo dessa eu acrescentei Fuma charutos. Vai morrer de câncer de pulmão. Com sorte logo. Excelente forma física.
Eu imediatamente risquei a última observação até que ficasse ilegível.
O relógio do micro-ondas piscava 21:05. Da minha perspectiva, eu tinha duas escolhas. Ou eu inventava minha entrevista com o Patch, ou eu dirigia até a Bo's Arcade. A primeira opção podia ter sido tentadora, se ao menos pudesse bloquear a voz do Treinador alertando que ele checaria todas as respostas para autenticidade. Eu não conhecia o suficiente sobre Patch para blefar a entrevista inteira. E a segunda opção? Nem mesmo remotamente tentadora.
Eu atrasei tomar uma decisão tempo o bastante para ligar para minha mãe. Parte do nosso acordo para ela trabalhar e viajar tanto era que eu agisse responsavelmente e não fosse o tipo de filha que requisitasse supervisão constante. Eu gostava da minha liberdade, e eu não queria fazer nada para dar à minha mãe uma razão para cortar seu salário e pegar um trabalho local para ficar de olho em mim.
No quarto toque, seu correio de voz atendeu.
“Sou eu,” eu disse. “Só estou checando. Tenho lição de biologia para terminar, depois eu vou para a cama. Me ligue no almoço, se você quiser. Te amo.”
Depois de desligar, eu achei uma moeda de 25 centavos na gaveta da cozinha. É melhor deixar decisões complicadas para o destino.
“Cara eu vou,” eu disse ao perfil de George Washington. “Coroa eu fico.” Eu joguei a moeda de 25 centavos no ar, achatei-a nas costas da minha palma, e ousei dar uma espiada. Meu coração espremeu uma batida extra, e eu disse a mim mesma que eu não tinha certeza o que isso significava.
“Não está mais nas minhas mãos agora,” eu disse.
Determinada a acabar com isso o mais rápido possível, eu agarrei um mapa da geladeira, apanhei minhas chaves, e recuei meu Fiat Spider pela estrada. O carro provavelmente fora fofo em 1979, mas eu não era louca pela pintura marrom chocolate, pela ferrugem se espelhando desenfreada pelo para-choque traseiro, ou pelos assentos arrebentados de couro branco.
A Bo's Arcade acabou sendo mais longe do que eu teria gostado, aninhada perto à costa, uma viagem de trinta minutos. Com o mapa esticado no volante,
eu parei o Fiat em um estacionamento atrás de um amplo prédio de blocos cinzas com uma placa elétrica piscando BO'S ARCADE, MAD BLACK PAINTBALL & OZZ’S POOL HALL. Grafite salpicava as paredes, e butucas de cigarro pontuavam a calçada. Claramente o Bo's estaria cheio de futuros estudantes da Ivy League e cidadãos modelo. Eu tentei manter meus pensamentos altivos e indiferentes, mas meu estômago estava um pouco inquieto. Checando novamente se eu tinha trancado todas as portas, eu me dirigi para dentro.
Eu fiquei na fila, esperando passar pelas cordas. Enquanto o grupo à minha frente pagava, eu passei me espremendo, andando na direção do labirinto de sirenes estrondeantes e das luzes piscantes.
“Acha que merece um passe grátis?” gritou uma voz rouca de fumaça.
Eu me virei e pestanejei para o caixa excepcionalmente tatuado. Eu disse, “Não estou aqui para brincar. Estou procurando por alguém.”
Ele resmungou. “Se quiser passar por mim, tem que pagar.” Ele colocou suas palmas sobre o balcão, onde uma tabela de preços tinha sido colada com durex, mostrando que eu devia quinze dólares. Somente dinheiro.
Eu não tinha dinheiro. E se eu tivesse, eu não teria desperdiçado-o gastando uns poucos minutos interrogando o Patch sobre sua vida pessoal. Eu senti um fluxo de raiva pelo mapa de assentos e por ter que estar aqui em primeiro lugar. Eu só precisava achar o Patch, então poderíamos assegurar a entrevista do lado de fora. Eu não tinha dirigido até aqui para ir embora de mãos vazias.
“Se eu não voltar em dois minutos, eu pago os quinze dólares,” eu disse. Antes que eu pudesse exercitar um melhor julgamento ou reunir um rico mais de coragem, eu fiz algo totalmente fora do normal e me abaixei por debaixo das cordas. Eu não parei lá. Eu me apressei pela arcada, mantendo meus olhos abertos pelo Patch. Eu disse a mim mesma que não conseguia acreditar que estava fazendo isso, mas eu era como uma bola de neve rolante, ganhando velocidade e ímpeto. Nesse momento eu só queria achar o Patch e cair fora.
O caixa me seguiu, gritando, “Ei!”
Certa de que o Patch não estava no nível principal, eu corri escada abaixo, seguindo placas para o Ozz’ Pool Hall. Ao fim da escada, uma trilha de iluminação turva iluminava diversas mesas de pôquer, todas em uso. Fumaça de charuto quase tão grossa quanto à névoa envolvendo a minha casa escurecia o teto baixo. Aninhada entre as mesas de pôquer e o bar estava uma fileira de mesas de sinuca. Patch estava esticado na que ficava transversalmente a mim, tentando uma difícil tacada de mestre.
“Patch!” eu chamei.
Bem quando eu falei, ele atirou seu taco de sinuca, impulsionando-o no topo da mesa. Sua cabeça levantou-se rapidamente. Ele me encarou com uma mistura de surpresa e curiosidade.
O caixa claudicou os passos atrás de mim, mirando no meu ombro com sua mão. “Para cima. Agora.”
A boca de Patch se deslocou em outro quase sorriso. Difícil dizer se era zombador ou amigável. “Ela está comigo.”
Isso pareceu ter alguma influência com o caixa, que relaxou seu aperto. Antes que ele pudesse mudar de ideia, eu retirei sua mão e contorci-me entre as mesas na direção de Patch. Eu andei os primeiros diversos passos a passos largos, mas descobri minha confiança escorregando quando mais perto eu chegava dele.
Eu fiquei imediatamente consciente de algo diferente nele. Eu não conseguia exatamente afirmar o que, mas eu podia sentir isso como eletricidade. Mais animosidade?
Mais confiança.
Mais liberdade de ser ele mesmo. E aqueles olhos negros estavam me incomodando. Eles eram como imãs, unindo-se a cada movimento meu. Eu engoli em seco discretamente e tentei ignorar o enjoativo sapateado no meu estômago. Eu não conseguia exatamente afirmar o que, mas algo em Patch não era correto. Algo nele não era normal. Algo não era... seguro.
“Desculpe por ter desligado,” Patch disse, vindo ao meu lado. “A recepção não é boa aqui embaixo.”
É, tá bom.
Com uma inclinação de sua cabeça, Patch gesticulou para que os outros fossem embora. Houve um silêncio inquietante antes que qualquer um se movesse. O primeiro cara a sair bateu no meu ombro enquanto passava. Eu dei um passo para trás para me equilibrar e olhei para cima bem em tempo de receber olhares frios de outros dois jogadores enquanto eles partiam.
Ótimo. Não era minha culpa que Patch era meu parceiro.
“Bola oito?” Eu perguntei a ele, levantando minhas sobrancelhas e tentando soar completamente certa de mim mesma, dos meus arredores.
Talvez ele estivesse certo e o Bo’s não fosse o meu tipo de lugar. Isso não queria dizer que eu ia correr em direção às portas. “Em quanto estão às apostas?”
Seu sorriso se alargou. Dessa vez eu estava bem certa de que ele estava zombando de mim. “Nós não jogamos por dinheiro.”
Eu coloquei minha bolsa de mão na ponta da mesa. “Que pena. Eu ia apostar tudo que eu tenho contra você.” Eu levantei minha tarefa, duas linhas já preenchidas. “Algumas rápidas perguntas e estou fora daqui.”
“Babaca?” Patch leu em voz alta, inclinando-se sobre seu taco de sinuca. “Câncer de pulmão? É pra isso ser profético?”
Eu ventilei a tarefa pelo ar. “Assumo que você contribuiu para a atmosfera. Quantos charutos por noite? Um? Dois?”
“Eu não fumo.” Ele soava sincero, mas eu não engolia.
“Mm-hmm,” eu disse, deixando o papel de lado entre a bola oito e a roxa sólida. Eu acidentalmente acotovelei a roxa sólida enquanto escrevia Charutos, definitivamente na linha três.
“Você está bagunçando o jogo,” Patch disse, ainda sorrindo.
Eu captei seu olhar e não pude evitar igualar seu sorriso – brevemente. “Com sorte não em seu favor. Maior sonho?” Eu estava orgulhosa dessa porque sabia que iria aturdi-lo. Ela requeria premeditação.
“Beijar você.”
“Isso não é engraçado,” eu disse, segurando seus olhos, grata por não ter gaguejado.
“Não, mas fez você corar.”
Eu me empurrei para o lado da mesa, tentando parecer apática enquanto fazia isso. Eu cruzei minhas pernas, usando meu joelho como uma tábua para escrever. “Você trabalha?”
“Eu sirvo mesas no Borderline. O melhor restaurante mexicano da cidade.”
“Religião?”
Ele não pareceu surpreso pela pergunta, mas ele não pareceu radiante com ela tampouco. “Eu pensei que você tivesse dito algumas rápidas perguntas. Você já está na número quatro.”
“Religião?” eu perguntei mais firmemente.
Patch arrastou uma mão pensativamente pela linha de sua mandíbula. “Religião não... culto.”
“Você pertence a um culto?” Eu percebi tarde demais que, embora eu soasse surpresa, eu não deveria ter.
“Acontece que eu estou precisando de um sacrifício feminino saudável. Eu planejava seduzi-la para que confiasse em mim primeiro, mas se você está pronta agora...”
Qualquer sorriso restante no meu rosto desapareceu. “Você não está me impressionando.”
“Eu não comecei a tentar ainda.”
Eu me debrucei da mesa e fiquei de pé encarando-o. Ele era uma cabeça inteira mais alto. “Vee me disse que você é um veterano. Quantas vezes você reprovou em biologia do segundo ano? Uma vez? Duas vezes?”
“Vee não é minha porta-voz.”
“Está negando ter reprovado?”
“Estou te dizendo que eu não fui para a escola ano passado.” Seus olhos me zombaram... Isso só me deixou mais determinada.
“Você é uma cabulador?”
Patch deitou seu taco de sinuca no topo da mesa e curvou um dedo para mim chegar mais perto. Eu não cheguei. “Um segredo?” ele disse em tons confidenciais. “Eu nunca fui pra escola antes. Outro segredo? Não é tão chato quando eu esperava.”
Ele estava mentindo. Todos iam para a escola. Havia leis. Ele estava mentindo para tirar alguma resposta de mim.
“Você acha que eu estou mentindo,” ele disse em volta de um sorriso.
“Você nunca foi para a escola, nunca? Se isso for verdade – e você está certo, eu não acho que seja – o que fez você decidir vir esse ano?”
“Você.”
O impulso de me sentir assustada golpeou-me, mas eu disse a mim mesma que era exatamente isso que Patch queria. Marcando meu território, eu tentei agir irritada, ao invés. Ainda assim, levei um momento para achar minha voz. “Essa não é uma resposta de verdade.”
Ele deve ter dado um passo para mais perto, porque de repente nossos corpos estavam separados por nada mais do que uma superficial margem de ar. “Seus olhos, Nora. Esses olhos cinzas frios e pálidos são surpreendentemente irresistíveis.” Ele curvou sua cabeça de lado, como se para me estudar de um novo ângulo. “E essa boca curvilínea assassina.”
Espantada não tanto pelo comentário dele, mas pela parte de mim que respondeu positivamente a ele, eu recuei. “Já chega. Vou cair fora daqui.”
Mas assim que as palavras saíram da minha boca, eu sabia que elas não eram verdadeiras. Eu senti o desejo de dizer algo mais. Selecionando os pensamentos emaranhados na minha cabeça, eu tentei achar o que era que eu
sentia que devia dizer. Por que ele era tão irrisório, e por que ele agia como se eu tivesse feito algo para merecer isso?
“Você parece saber muito sobre mim,” eu disse, fazendo a atenuação do ano. “Mais do que você deveria. Você parece saber exatamente o que dizer para me deixar desconfortável.”
“Você facilita.”
Uma faísca de raiva disparou por mim. “Você admite que está fazendo isso de propósito?”
“Isso?”
“Isso – me provocando.”
“Diga ‘provocando’ novamente. Sua boca fica provocativa quando você faz isso.”
“Acabamos aqui. Termine seu jogo de sinuca.” Eu agarrei seu taco de sinuca da mesa e empurrei para ele. Ele não pegou-o.
“Eu não gosto de sentar do seu lado,” eu disse. “Eu não gosto de ser sua parceira. Eu não gosto do seu sorriso condescente.” Minha mandíbula tremeu – algo que tipicamente acontecia quando eu mentia. Eu me perguntei se eu estava mentindo agora. Se eu estivesse, eu queria me chutar. “Eu não gosto de você,” eu disse o mais convincentemente que consegui, e enfiei o taco contra seu peito.
“Estou feliz pelo Treinador nos ter colocado juntos,” ele disse. Eu detectei uma leve ironia na palavra “Treinador”, mas eu não consegui descobrir nenhum significado escondido. Dessa vez ele pegou o taco de sinuca.
“Estou trabalhando para mudar isso,” eu reagi.
Patch achou que isso era tão engraçado que seus dentes apareceram em seu sorriso. Ele se esticou até mim, e antes que eu pudesse me afastar, ele desembaraçou algo do meu cabelo.
“Pedaço de papel,” ele explicou, jogando-o no chão. Enquanto ele esticava sua mão, eu notei uma marca na parte interna do seu pulso. De primeira eu presumi que fosse uma tatuagem, mas um segundo olhar revelou um marrom rubicundo, uma marca de nascença ligeiramente levantada. Era da forma de um pingo de tinta esparramado.
“Que lugar infeliz para uma marca de nascença,” eu disse, mais do que um pouco enervada por estar tão similarmente posicionada à minha própria cicatriz.
Patch casual e notavelmente deslizou sua manga sobre seu pulso. “Você preferiria em algum lugar mais privado?”
“Eu não a preferiria em qualquer outro lugar.” Eu não estava certa de como isso soava e tentei novamente. “Eu não ligaria se você nem ao menos a tivesse.” Eu tentei uma terceira vez. “Eu não ligo para a sua marca de nascença, ponto.”
“Mais perguntas?” ele perguntou. “Comentários?”
“Não.”
“Então te vejo na aula de biologia.”
Eu pensei em dizer a ele que ele nunca me veria novamente. Mas eu não ia comer minhas palavras duas vezes em um dia.
Mais tarde naquela noite um crack! me puxou do sono. Com meu rosto esmagado contra meu travesseiro, eu fiquei imóvel, todos os meus sentidos em alerta total. Minha mãe ficava fora da cidade pelo menos uma vez por mês por causa do trabalho, então eu estava acostumada a dormir sozinha, e fazia meses desde que eu tinha imaginado o som de passos rastejando pelo corredor na direção do meu quarto. A verdade era que eu nunca me sentia completamente sozinha. Logo depois do meu pai ter sido atirado até a morte em Portland enquanto comprava um presente de aniversário para a minha mãe, uma presença estranha entrou na minha vida. Como se alguém estivesse orbitando meu mundo, observando de longe. De primeira a presença fantasmagórica tinha me apavorado, mas quando nada de ruim sucedeu disso, minha ansiedade perdeu sua animação. Eu comecei a me perguntar se havia um propósito cósmico para a maneira como eu estava me sentindo. Talvez o espírito do meu pai estivesse por perto. O pensamento era geralmente confortante, mas hoje a noite era diferente. A presença parecia gelo na pele.
Virando a minha cabeça uma fração, eu vi uma forma sombreada se esticando pelo meu chão. Eu girei para ver um rosto na janela, o raio de luz transparente do luar a única luz no quarto capaz de jogar sombras. Mas nada estava lá. Eu apertei meu travesseiro contra mim e disse a mim mesma que era uma nuvem passando sobre a lua. Ou um pedaço de lixo soprando no vento. Ainda assim, eu passei os próximos minutos esperando minha pulsação se acalmar.
Na hora que eu reuni coragem para sair da cama, o jardim abaixo da minha janela estava silencioso e imóvel. O único barulho vinha dos gravetos de árvore arranhando a casa, e do meu próprio coração batendo debaixo da minha pele.

Sonhos - Alyson Noel

Sinopse - Sonhos - The Soul Seekers - Livro Um - Alyson Noël

Daire Santos é uma adolescente de 16 anos, filha de uma maquiadora de Hollywood, que namora estrelas de cinema e viaja com a mãe por todo o mundo. Até que coisas estranhas começam a acontecer com ela: visões com corvos e pessoas brilhantes, o tempo que para de andar, sonhos com um belo menino de olhos azuis-gelo.
Os médicos acham que se trata de um caso psiquiátrico. Sua avó, curandeira respeitada na pequena cidade de Encantamento, Novo México, afirma que pode curá-la com suas ervas e poções. Sem alternativa, Daire vai para uma cidade perdida no meio do nada, longe da mãe, e com a avó que até então não conhecia.
O que parecia ser o fim, no entanto, revela-se o início de uma grande aventura: guiada pela avó, Daire descobre ser uma Buscadora de Almas, descendente de uma linhagem poderosa que, através dos tempos, vem garantindo o equilíbrio entre o bem e o mal tanto no nosso mundo quanto em outros mundos e outras dimensões.
“Sou o sangue que circula pelo corpo do garoto que me beija – assim como sou a batida das asas do corvo que me trouxe até ali.”
Alyson Noël – Sonhos, página 63.
Sonhos é o primeiro livro da série The Soul Seekers da querida Alyson Noël e trás um enredo cheio de mistérios e magia, e ainda cabe um pouco de problemas familiares e o temido bullying. Narrado em primeira pessoa por Daire, podemos classificar o livro em duas fases: a primeira serve como uma introdução, nela o leitor encontra uma protagonista que nutre uma relação complicada com a mãe, além do fato de que se encontra em meio a crises e devaneios e sonhos com um garoto desconhecido, tudo indica que ela está doente, ou terrivelmente amaldiçoada e não há alternativa a não ser ir em busca de sua avó Paloma para tentar entender e encontrar a cura para tudo isso. O que acontece é que Alyson resolve nos explicar tudo calmamente, do passado de sua família até a própria aceitação da personagem principal em sua missão como buscadora de almas e isso dura em torno de 150 páginas e o que parece ser um ponto negativo, se torna extremamente necessária ao entrarmos na segunda e tempestuosa segunda fase do livro, cuja aventura e o romance são iniciados e é difícil largar a leitura e não se encantar por Daire que se transforma em uma completa heroína. Outro ponto importante é que os cenários são muito bem descritos, é fácil imaginar todo o misticismo e clima sombrio imposto pela autora na pequena cidade de “Encantamento” situada no Novo México. A conectividade dos personagens com os elementos da natureza e a própria natureza fica evidente quase o livro todo e cada detalhe tem um significado importante para a história, deixando o ainda mais mágico. Existe um romance, mas não é o foco principal do livro, pelo menos não desse – o que não quer dizer que seja ruim, nada disso! É muito linda a relação de Dace e Daire, existe um gancho para a sequência muito interessante, vamos esperar para ver o que a Alyson vai fazer. Indico para quem gostou e ainda mais para quem não gostou da série Os imortais, por mais que ambas sejam completamente diferentes , em Sonhos a autora finalmente mostra do que é capaz.